Rio - Apesar de todas as medidas anunciadas, a previsão das autoridades é de que a guerra contra a dengue está longe do fim. Um dos que fizeram o alerta foi o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo ele, até o fim de abril “ainda vamos ter uma situação complicada”.
Outro a advertir sobre o problema foi o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, Victor Berbara. Segundo ele, caso o combate ao mosquito não seja eficaz em 2008, ano que vem a situação pode ser mais grave. O anúncio do pacote de medidas de ontem foi acompanhado pela guerra política. Apesar de dizerem que não queriam “polemizar”, Temporão e o governador Sérgio Cabral alfinetaram a Prefeitura do Rio.
O ministro lembrou que a cidade é a única capital com epidemia. “No Brasil, a dengue está em queda — 40% a menos em relação a 2007”. Ele também negou dados divulgados pelo prefeito Cesar Maia, que afirmam que o Programa Nacional de Combate à Dengue tinha orçamento de R$ 21,5 milhões em 2007, mas só R$ 2,47 milhões foram gastos.
“A falha está no combate ao vetor. O momento agora não é de fazer acusação nem polemizar”, disse Temporão.
Ontem, o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, usou a palavra ‘epidemia’ para se referir à situação do Rio, mas depois voltou atrás. E, em seguida, culpou a chuva pelo problema. “Não há cidade no mundo que consiga realmente dar conta de uma epidemia dessa natureza”, disse, inicialmente, para, depois, questionado pela imprensa, se corrigir. “Ninguém falou em epidemia”. Ele ressaltou que os índices pluviométricos do Rio foram até o triplo dos outros anos, quando perguntado sobre o motivo de haver tantos casos de dengue.
Cabral fez coro com Temporão. “Não quero polemizar, mas faltou prevenir: trabalho que deve ser feito pelo município. Não é normal o Estado ter que abrir tenda e colocar 1.200 bombeiros trabalhando no combate aos focos. Estamos em guerra, não temos tempo de discutir”.
O governador também falou sobre a influência do Programa de Saúde da Família (PSF) na diminuição dos óbitos. “Ele precisa ter uma dimensão que infelizmente no Rio não tem. Piraí tem 100% de cobertura do PSF. Isso traz resultados positivos. Niterói, que é aqui ao lado, tem PSF sério, e não está tendo óbito”, acusou. Mesmo assim, assumiu também sua parcela de culpa: “A população é a menos culpada. Nós, as autoridades, fomos os principais culpados. Todos nós erramos. As pessoas sabem muito bem o peso de cada responsabilidade”.