Rio - Poucas horas após reclamar com o governador Sérgio Cabral sobre o atendimento precário e a falta de equipamentos no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, quarta-feira, a dona-de-casa Vera Lúcia Aguiar Menezes recebeu uma péssima notícia. Seu irmão, Valcemir Moreira de Aguiar, internado desde o dia 25, morreu sem fazer a tomografia que, segundo Vera, ele precisava.
Ontem, fez um ano que Cabral encontrou tomógrafo encaixotado no Hospital Albert Schweitzer, Realengo. A unidade, assim como o Rocha Faria, continua sem o equipamento até hoje.
“Ninguém sabe o que acontece aqui. Não tem raios-x, não tem tomografia. Os médicos não confirmam o que meu irmão tem. Ele está inconsciente”, disse Vera quarta-feira durante a vistoria do governador ao hospital. Naquele dia, Cabral disse não achar que o prazo de um ano sem conseguir providenciar a compra de tomógrafos para as unidades de emergência fosse muito longo. “Tínhamos na saúde e temos tantos problemas a serem resolvidos que os recursos que herdamos não foram suficientes para licitar durante 2007. E você não pode licitar sem ter cobertura orçamentária. Isso foi conquistado em 2007. Fizemos licitação e tomógrafos virão”, disse Cabral.
SOFRIMENTO CONTINUA
Ontem, a dona-de-casa Cemira Ferreira, 57 anos, continuava sem notícia da ressonância magnética que sua filha, Maria Viana, 32, precisa. Quarta-feira, um dos diretores prometeu, durante a visita de Cabral, que providenciaria o exame. Internada desde março no Rocha Faria, a paciente ainda não tem diagnóstico. “Ela parou de falar, de conversar. Eles não sabem se podem operar. Eu fico muito preocupada.”
Ontem, a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil afirmou que Valcemir morreu com suspeita de envenenamento. E que Maria teve o exame marcado duas vezes, mas não conseguiu fazer a ressonância por pânico. Disse ainda que outra data será marcada para que ela faça o exame sedada e acompanhada por um médico.
Governador critica postos municipais
Um dia após a vistoria de Cabral aos hospitais Rocha Faria, em Campo Grande, Albert Schweitzer, em Realengo, e Getúlio Vargas, na Penha, os pacientes continuam reclamando do atendimento. No Albert Schweitzer, um dos que foi melhor avaliado por Cabral, era longa a fila de espera no Pronto-Atendimento.
Ontem, Cabral criticou a rede municipal de saúde e afirmou que a emergência pediátrica do Getúlio Vargas — onde cerca de 80 crianças esperavam por atendimento quarta-feira — estava superlotada porque os postos de saúde ficaram fechados por quatro dias, no fim de ano.
“Ontem (quarta-feira) foi o primeiro dia útil e os postos de saúde ficaram fechados por quatro dias consecutiva. As mães estavam enlouquecidas, com razão, querendo que seus filhos fossem atendidos. Aí foram procuraram o Getúlio Vargas, que é um hospital de emergência, com poucos pediatras. E os pediatras estavam dando atenção a uma criança com problemas cardíacos. Mas a mãe que está com filho com febre, com mal-estar ou diarréia, não quer saber”.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde alegou que nos dias 31 e 1º manteve 22 unidades funcionando 24 horas. E que na noite do Réveillon montou dez postos de atendimento médico em sete bairros onde houve festas com queima de fogos.