Genebra - O aumento das temperaturas está afetando os ecossistemas de montanha e suas populações, já que o derretimento das geleiras aumenta a disponibilidade de água a curto prazo e, por conseqüências, as inundações, migrações de espécies e escassez de água a longo prazo. O alerta foi dado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Em razão do Dia Internacional das Montanhas, o diretor geral adjunto para a Ordenação de Recursos Naturais e Meio Ambiente, Alexander Müller, explicou que a medida que as geleiras desaparecem se eleva o limite das neves perpétuas, é provável que mudem as correntes fluviais e que a escassez de água gere conflitos e afetem a produção de energia hidrelétrica, a silvicultura e os meios de subsistência baseados na agricultura.
Os serviços que oferecem os ecossistemas de montanha se estendem com freqüência distantes de suas áreas geográficas e incluem o balanço hídrico, a regulação do clima, e a manutenção de diferentes espécies vegetais e animais.
"Atualmente, a mudança no clima vem obrigando medidas de adaptação, como prevenção de inundação de lagos glaciais no Himalaia ou os trabalhos de consolidação contra a instabilidade de taludes na Europa setentrional com a deterioração do solo permafrost", diz a FAO. As estações de esqui na Europa e América do Norte começaram a diversificar serviços para compensar a perda do turismo de inverno com a falta de neve.
A FAO informou ainda que está trabalhando com os governos na ordenação de planos de uso do solo tanto nas montanhas como em terras baixas, já que as inundações, os deslizamentos de terras e as avalanches são propensos a ficarem mais graves e afetar zonas consideradas seguras até agora.