Paris - Em negociações realizadas em Paris, nesta sexta-feira, algumas das maiores economias do mundo realizaram avanços quanto à definição dos pontos fundamentais de um novo acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para enfrentar as mudanças climáticas, mas continuavam divididas a respeito da meta de cortar pela metade, até 2050, a emissão de gases do efeito estufa.
O encontro, liderado pelos Estados Unidos e do qual participam 17 países que respondem por 80% das emissões mundiais de gases estufa, acertou o compartilhamento de tecnologias limpas, a adoção de esquemas de financiamento e a imposição de eventuais metas setoriais para áreas como as da produção de aço e cimento.
O encontro adotou uma postura mais construtiva após iniciar-se com muitos delegados criticando o presidente norte-americano, George W. Bush, por limitar-se a fixar uma meta de não permitir que as emissões de seu país continuem aumentando após 2025, quando outros países assumiram o compromisso de baixar suas emissões para níveis menores que os de 1990, disseram delegados.
"As pessoas estão se compreendendo mutuamente cada vez mais em vários assuntos", afirmou à Reuters Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU, que considerou "substanciais" os avanços rumo à elaboração de um novo tratado do clima da ONU previsto para ser acertado até o final de 2009.
No entanto, ainda há divergências quanto a adotar a meta de reduzir pela metade, até 2050, as emissões mundiais, meta essa defendida pela UE, pelo Japão e pelo Canadá como parte da luta contra o aquecimento da Terra, um fenômeno capaz de provocar mais enchentes, secas e ondas de calor além da elevação do nível dos oceanos.
Segundo os delegados, o plano anunciado por Bush na quarta-feira de apenas brecar as emissões dos EUA no patamar a ser registrado em 2025 tornavam tais metas de longo prazo ainda mais improváveis.
As metas para 2050 seriam avaliadas em uma cúpula do Grupo dos Oito (G8) que ocorre no Japão entre os dias 7 e 9 de julho e em outro encontro dos 17 maiores emissores de gases do efeito estufa, marcado para acontecer de forma paralela àquela cúpula.
Pós-Kyoto
Os países industrializados, com a exceção dos EUA, concordaram com diminuir suas emissões, até 2020, para um nível entre 25 e 40 por cento inferior ao registrado em 1990 como parte de um novo tratado da ONU que ficaria no lugar do Protocolo de Kyoto.
O governo norte-americano afirmou ainda estar "avaliando com seriedade" se adotará a meta de baixar pela metade as emissões até 2050.
O grupo que negocia em Paris reúne os EUA, a França, a Alemanha, a Itália, a Grã-Bretanha, o Japão, a China, o Canadá, a Índia, o Brasil, a Coréia do Sul, o México, a Rússia, a Austrália, a Indonésia e a África do Sul. A Eslovênia e a ONU também participam dos encontros.
Com agências