André Bernardo e Carla Marques
Rio - A Vigilância Sanitária do Estado do Rio vai realizar hoje uma vistoria no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Municipal Souza Aguiar para investigar uma suspeita de surto provocado pela bactéria Enterococos resistente à Vancomicina (VRE), a mesma que provocou o fechamento da Emergência do Hospital Geral de Bonsucesso em outubro. Ontem, o diretor da unidade, Josué Kardec, admitiu que dois pacientes do CTI estão colonizados pela bactéria e um terceiro já desenvolveu a doença. “Eles continuam no CTI, mas em isolamento de contato”, afirmou. Um quarto paciente, sob suspeita de contaminação, morreu antes de ter a doença confirmada.
Segundo Victor Berbara, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, o objetivo da vistoria é avaliar as condições de limpeza, assepsia, atendimento e superlotação, entre outros itens, do Hospital Souza Aguiar.
“Queremos verificar se as providências tomadas foram as corretas. Normalmente, em caso de suspeita de surto, o ideal é que a Vigilância Sanitária seja notificada o mais rapidamente possível”, afirma ele, acrescentando que o relatório pode ficar pronto até sexta-feira.
O diretor Josué Kardec disse que não houve ‘transmissão cruzada’ (entre pacientes internados) porque os três já chegaram contaminados à unidade. A Secretaria Municipal de Saúde, porém, não quis divulgar os exames que teriam sido realizados na chegada dos pacientes ao Souza Aguiar.
NOVOS EXAMES
Na última terça-feira, dia 27 de novembro, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Souza Aguiar emitiu documento se comprometendo a reforçar as medidas preventivas já tomadas. A principal é o exame laboratorial obrigatório, o ‘swab’, de todos os pacientes recebidos pelo CTI para rastrear a bactéria. Pacientes do setor — há 21 leitos — passarão por novos exames entre hoje e amanhã.
Ontem, o diretor do Sindicato dos Médicos, Júlio Noronha, divulgou documento enviado ao Ministério Público Estadual em 22 de outubro. Nele, o órgão convoca as CCIHs das principais unidades do Rio para avaliar o risco de contaminação pelo Enterococos. “É preciso que medidas sejam tomadas urgentemente para evitar que a bactéria se propague para além dos muros dos hospitais”, alerta Noronha.
PACIENTES ISOLADOS
Homem de 57 anos: deu entrada no hospital dia 17 de outubro com quadro de AVE (acidente vascular encefálico). Foi para o CTI no dia 1º de novembro. A coleta do primeiro exame que confirmou a presença da superbactéria foi no dia seguinte. Seu estado de saúde é considerado grave.
Homem de 48 anos: chegou ao Souza Aguiar em 19 de outubro, com meningite. Foi internado no CTI dia 22 do mesmo mês. Em 28 de novembro, foi feita a primeira coleta de material que, analisada, deu positivo para a Enterococos. Segundo o hospital, o paciente “está evoluindo bem e deverá ter alta ainda essa semana do CTI”.
Homem de 53 anos: também chegou ao hospital em 19 de outubro. O diagnóstico é de pielonefrite (doença urológica). Foi para o CTI em 8 de novembro. Exame deu positivo para a bactéria dia 21. Também sairá do CTI até o fim da semana.