Rio - A Defensoria Pública da União vai cobrar explicações à Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil sobre a contratação de médicos residentes como anestesistas nos hospitais da rede. Conforme O DIA noticiou ontem, o Estado tem contratado, através de cooperativas, médicos que estão cursando a residência e que, portanto, não são especialistas, para atuar em unidades estaduais. Ontem, a Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) afirmou que a situação é preocupante e garantiu que o problema vem sendo discutido com o estado desde janeiro.
“O que está acontecendo é perverso. Você tem médico residente fazendo anestesia com metade do tempo de residência”, afirmou Luis Antonio dos Santos Diego, presidente da Saerj. “É o anestesista quem controla toda a fisiologia de um paciente, como a respiração e os batimentos cardíacos, durante o ato cirúrgico.”
Segundo Luis Antonio, em janeiro o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, mostrou-se preocupado com a contratação de residentes. “A Sociedade tem procurado o Estado para tentar fazer um acordo. Temos cerca de 1.500 anestesistas no Rio, mas o problema é que o estado paga mal e não realiza concurso público ”, disse o médico.
OUTRAS ESPECIALIDADES
Ontem, o defensor público da União André Ordacgy afirmou que enviará ofício ao Estado para saber se o governo está contratando residentes em outras especialidades. “Essa prática coloca em risco a saúde da população. Se são residentes, ainda estão em formação. Isso fere princípios constitucionais de moralidade, legalidade e eficiência no gasto com dinheiro público”, disse Ordacgy. “Quero saber se residentes em outras especialidades, como pediatria e ortopedia, também estão atuando como especialistas.”
Presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze disse ontem que vai denunciar a contratação de residentes ao Ministério Público.