Brasília - Até o fim deste mês, um dos principais medicamentos utilizados para tratar a doença de Chagas começará a ser produzido por um laboratório público brasileiro: o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe). As primeiras unidades do benzonidazol, 200 mil comprimidos, serão enviadas ao Ministério da Saúde para distribuição na rede pública.
Além de suprir o mercado nacional, o Lafepe será o único produtor mundial, exportando o medicamento para diversos países. O remédio disponível até então era produzido pela farmacêutica Roche, na Suíça, que transferiu a licença da tecnologia de produção do medicamento para o laboratório pernambucano por meio de um acordo. Em setembro, o laboratório brasileiro recebeu, da Suíça, 358 quilos do princípio ativo do remédio para começar a produção.
“Esse medicamento é para combater as doenças negligenciadas. As grandes indústrias se interessam mais em produzir Viagra, anti-hipertensivo, porque têm um público que pode pagar. Esse, por ter uma quantidade de pacientes reduzida e ser mais freqüente nos países em desenvolvimento, as grandes empresas não têm interesse”, avalia o diretor industrial do Lafepe, Davi Santana.
Segundo ele, o tratamento contra doença de Chagas será feito por prescrição médica e se dará com 100 comprimidos de benzonidazol por paciente, em um período de aproximadamente três meses.
Nos últimos dois anos, o Brasil registrou 170 casos de doença de Chagas. A maior incidência foi verificada na Região Norte. Em 2005, no entanto, foram registrados casos de contaminação em Santa Catarina, por meio do caldo de cana.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença de Chagas é causada por um protozoário, transmitido pelas fezes do barbeiro (inseto). Os sintomas iniciais, febre e mal-estar, são genéricos, podendo ser confundidos com os de outras doenças.
As características mais específicas aparecem anos depois, provocando insuficiência cardíaca e o comprometimento da digestão. Não há vacina contra a doença e o tratamento deve ser feito rapidamente para evitar as conseqüências da contaminação.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença de Chagas afeta 9 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente crianças na América Latina. O número de casos registrados já foi maior na década passada. Em 1990, chegou a 18 milhões.
Na avaliação da OMS, a doença está sob controle no Brasil, Chile, Uruguai, em regiões da Argentina, Bolívia, Paraguai e América Central. As áreas mais endêmicas estão no Chaco, na Bolívia e na Argentina, além de determinadas localidades do México, Peru e Colômbia.
Agência Brasil