Rio - Ao sair de casa, Maria Lenilda da Silva, 37 anos, não imaginava que passaria o dia em busca de socorro. Antes das 9h, chegou ao Hospital Miguel Couto, mas, duas horas depois, já havia sido encaminhada para a recém-inaugurada UPA de Botafogo. Às 12h, soube que a unidade estadual só seria aberta ao público à noite e teve que regressar ao Miguel Couto, de onde só saiu às 16h.
Outros dez pacientes foram encaminhados pelo hospital municipal para a unidade estadual. Enquanto isso, na entrada do Miguel Couto, um cartaz informava que “o atendimento clínico de adulto está demorando em média 8h”. “Depois de esperar horas, o enfermeiro do Miguel Couto me disse para ser atendida na UPA. Mas não se deu ao trabalho de saber se lá estava aberto. Não tenho dinheiro para ir de um lado para o outro. Achei um desrespeito”, reclamou.
À espera de socorro no Miguel Couto, uma mulher, que não teve o nome identificado, chegou a desmaiar na Emergência. “O médico está demorando. Estou preocupada porque minha pressão está alta. Já tomei remédio, mas ela não desce”, disse a paciente, pouco antes de cair no chão.
Os médicos demoraram a socorrê-la. A cena deixou pacientes e acompanhantes irritados. “Isso é absurdo. A mulher caída no chão e os médicos sem fazer nada. Queria ver se fosse parente deles”, protestou Vando da Silva, 28, que ajudou a colocá-la na maca.
Em nota, a Secretaria Municipal afirma que o Miguel Couto “enfrenta demanda além de sua capacidade física” e que o cartaz não foi colocado pela direção da unidade. Disse ainda que encaminhar pacientes com menor gravidade para outras unidades é um procedimento normal.