Ministro da Saúde afirma que não existe risco de a febre amarela se espalhar pelo Brasil
BRASÍLIA, GOIÁS E SÃO PAULO - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez ontem pronunciamento em rádio e TV negando o risco de o País viver uma epidemia de febre amarela. “O Brasil não tem casos de febre amarela urbana desde 1942. Os casos registrados de lá para cá foram todos de febre amarela silvestre, ou seja, de pessoas que contraíram a doença nas florestas”, afirmou.
José Temporão garantiu que os casos suspeitos estão localizados e restritos a áreas onde algumas pessoas não-vacinadas entraram em florestas e matas nas últimas semanas.
O discurso do ministro tenta conter a corrida da população pela vacina contra a doença. Temporão destacou que o Brasil é o maior produtor de vacina contra a febre amarela e frisou que quem não mora em regiões de risco ou não vai viajar para elas não precisa se vacinar. E quem já se vacinou não deve se preocupar, pois o efeito dura 10 anos.
“Só procure os postos de saúde se morar ou for visitar as áreas de risco e nunca se vacinou ou foi vacinado antes de 1999”, enfatizou o ministro da Saúde.
“Montamos uma barreira sanitária nas áreas de risco protegendo estados e municípios contra a febre amarela. E, de imediato, convocamos as pessoas que vão viajar ou moram em áreas de mata para tomar a vacina”, completou Temporão.
MAIS VACINAS
Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai triplicar, neste mês, o número de doses de vacinas contra febre amarela entregues ao Ministério da Saúde. O diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos), Akira Homma, disse que não haverá dificuldade em atender aumentos de demanda, mas acredita que a “fase aguda” de procura pela imunização está no fim. “Não há epidemia”, afirmou.
Em janeiro, o Ministério receberá 4 milhões de doses de vacina contra febre amarela, no lugar de 1,3 milhão entregues habitualmente a cada mês. A produção irá aumentar para 30 milhões de doses este ano, o dobro do ano passado.
Para Homma, o principal desafio no momento é a administração de estoques da vacina, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde. “Neste momento, para atender a esse crescimento muito forte da demanda, o importante é administrar o estoque para não atender à população de forma desordenada”, disse ele, destacando que a Fiocruz está trabalhando para evitar problemas e atender a demanda.
Paciente tem melhora em SP
A paciente internada em São Paulo com diagnóstico de febre amarela não tem previsão de alta. De acordo com boletim médico divulgado ontem pelo hospital São Luiz, onde ela está internada, houve evolução em seu quadro clínico. A mulher foi internada dia 6 com náuseas, vômitos e mal-estar. Ela esteve no Paraná e em Mato Grosso do Sul entre 27 de dezembro e 3 de janeiro.
Ontem, houve filas para vacinação em vários estados. Em Brasília, quem não comprovou estar vacinado foi barrado na entrada do Parque Nacional.
Viúva de turista vai processar Brasil e Espanha
A viúva do agricultor espanhol Salvador Perez de la Cal, que morreu há dois dias sob suspeita de ter contraído a febre amarela, disse ontem que vai à Justiça com ações por danos morais, omissão e negligência contra os governos do Brasil e da Espanha. “Os governos omitiram informações sobre um surto de febre amarela em Goiás”, acusou Marny Selma de Mendonça, de 31 anos. “Vou à Justiça para responsabilizar estes governos e assim impedir que outros tenham suas vidas e famílias desmoronadas pelo descaso público”, completou Marny. Ela afirmou ainda que por não ter informações adequadas, ela e o marido entraram em área de risco no município de Cristianópolis (GO), onde compraram uma gleba de terras com 169,4 hectares em região com notificação de morte de macacos por febre amarela (epizootia).