Rio - A partir de janeiro, o Instituto Butantã, em São Paulo, começará a testar uma vacina contra a dengue em seres humanos. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o instituto, a Secretaria Estadual de Saúde, o Ministério da Saúde, o National Institute of Health (NIH) e a Fundação Path, comandada pelo magnata americano Bill Gates, dono da Microsoft. Os testes serão realizados em bairros da capital paulista e em Guarulhos, que registrou este ano 790 casos da doença.
O Butantã enviará um relatório às entidades envolvidas para definir a participação de cada uma delas na construção e na compra dos equipamentos para a nova fábrica de vacinas contra a dengue. “Vamos escolher uma certa área geográfica e buscar voluntários adultos e saudáveis”, afirmou o pesquisador Isaías Raw, presidente da Fundação Butantã.
Raw planeja construir um laboratório até dezembro e, depois, a fábrica de vacinas. A expectativa é que a produção, 100% nacional, seja suficiente para atender ao país inteiro.
“Se houver excedentes, vamos oferecer para a África e outros países onde há casos de dengue”, disse.
A vacina será gratuita, mas, segundo Raw, nem todas as pessoas precisarão ser vacinadas. Só as que vivem em áreas de incidência da dengue e os jovens, inicialmente. Por ser um tratamento novo, ainda não é possível garantir quantas doses serão necessárias para imunizar o paciente. Em princípio, serão necessárias pelo menos duas doses na vida.
“Com o tempo, vamos saber quantos anos são necessários”, afirma o pesquisador. A expectativa é que a vacina esteja disponível à população em 2010.
Eficácia do produto em macacos é de 100%
O presidente da Fundação Butantã, Isaías Raw, lembrou que, para erradicar a doença, a vacinação deve ser paralela aos trabalhos de controle do mosquito. Esta semana, pesquisadores do NIH estiveram no instituto para conferir os resultados da fase de testes pré-clínicos da vacina. O estudo demonstrou que, em macacos, a eficácia foi de 100%.
O produto deverá ser eficaz contra os quatro tipos de vírus da dengue. No Brasil, até o momento, circulam os tipos 1, 2 e 3. Ao ser infectada uma vez, a pessoa fica imune ao sorotipo que a contaminou, mas pode ser infectada pelos demais.
O Butantã é a instituição de pesquisa em estágio mais avançado de desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. A tecnologia é similar à aplicada nas de raiva e rotavírus, já produzidas no centro de pesquisas.