Rio - “Sou o culpado de todas as acusações que me fizeram. Roubei a nação. Sou um ladrão do dinheiro do povo.” Com essas palavras, Romildo Rosa (Milton Gonçalves) vai colocar a mão na consciência e se entregar depois que sua filha, Alícia (Taís Araújo), for atingida por uma bala perdida, dia 11, em ‘A Favorita’.
No capítulo do dia 9, Diduzinho (Fabrício Boliveira) e a irmã estão saindo de um posto de saúde — após Alícia ser atendida com dor de dente — quando começa um tiroteio. Apavorados, os dois correm para se proteger na varanda da casa de uma senhora. “O que está acontecendo?”, perguntam. Ela explica que uma quadrilha assaltou um carro-forte que abastecia o caixa eletrônico, mas a polícia chegou. Os bandidos não se intimidaram e começaram a atirar de volta.
Os disparos param e Alícia decide correr, contra a vontade de Didu, que pede para a irmã esperar. Enquanto isso, Romildo Rosa aparece em outra cena negociando com traficantes de armas e circulando com malas de dinheiro. No meio dos tiros, ao tentar se esconder atrás de um carro, Alícia é atingida.
No hospital, o político chega botando banca, dizendo que é o deputado Romildo Rosa. “Eu sei quem é o senhor. Vi o senhor na CPI das armas de fogo. Sua filha foi atingida no tórax. Teve pneumotórax (colapso do pulmão), em conseqüência do traumatismo provocado pela bala. Isso provocou o deslocamento do coração. No momento ela está em coma”, informa o médico.
Diduzinho se desespera: “Se ela morrer a culpa é sua. Assassino! Olha o que você fez com a sua filha, seu bandido desgraçado. Você é que devia ter levado essa bala”. Em seguida, Romildo pede para ver a filha e reflete sobre seus atos: “Meu Deus, não deixa a minha filha morrer. Não deixa ela pagar pelos meus pecados”. Quando Arlete (Angela Vieira) chega, Romildo se abre para seu amor.
“A sensação que tenho é que quem apertou aquele gatilho fui eu. Fiz isso com a minha filha”, desabafa. Arlete diz a Romildo que essa é chance de ele mudar. O político concorda e convoca os jornalistas.
‘Roubei a nação. Sou um ladrão do povo’
Diante de Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia), Tuca (Rosi Campos) e outros jornalistas, Romildo discursa. “Só assim tenho a chance de declarar publicamente aquele que será talvez o fim da minha liberdade, mas quem sabe o começo do resgate da minha alma. Sou o culpado de todas as acusações que me fizeram. Roubei a nação. Sou um ladrão do dinheiro do povo.”
Ele continua. “Fiz tráfico de influência a troco de altas propinas, fraudei licitações... É tudo verdade. Fui baixo, desonesto e criminoso. Me entrego à Justiça do meu País para ser punido”, diz. “O senhor pretende comover a opinião pública?”, questiona Zé Bob.
“Não peço simpatia nem piedade de ninguém. Mereço o sofrimento que estou vivendo. Nem a cadeia nem execração pública podem ser piores do que a tragédia que estou vivendo. Mesmo que a minha filha sobreviva nunca mais vou poder olhar para ela de cabeça erguida”, lamenta, chorando. “Vou sair de cena, mas não sou o único. Há muitos como eu na política. Vou ser preso, serei um a menos.