
São Paulo - O pianista Anthony Hegarty encerrou a primeira noite do Tim Festival no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, com melodias embaladas pelo seu grupo The Johnsons, que juntava a seu piano um quarteto de cordas composto por baixo, violão, violino e violoncelo. Durante a apresentação, fez críticas ao que chamou de "machismo da era Bush".
"Só temos uma esperança para que o mundo sobreviva aos próximos cem anos. Por isso, implorem que suas mães se candidatem à presidência", disse.
No repertório, predominavam canções dramáticas e existencialistas como For Today I"m a Boy, em que narra a descoberta da sexualidade.
Andrógino, mas dono de uma voz grave, Anthony deixava a platéia em completo silêncio. Entre músicas profundas e reflexivas, mostrava simpatia e ironia, brincando com o fato de ficar sentado ao piano: "Devia ter trazido alguém para tocar."
Na performance, discursou ainda em favor do feminismo: "Deveriam ter muito mais mulheres no poder", o que arrancou gritos do público feminino.
Na hora de cantar, no entanto, o pessimismo em relação ao mundo se mostrava mais grave, em canções como Cripple.
A performance era cheia de sutilezas melódicas que davam voz a personagens das canções, como em Dead Boy, quando o violoncelo era usado para ilustrar um menino e o violino a uma menina.
Trechos que supostamente seriam leves, como o cover de I Will Survive, de Gloria Gaynor, emocionaram gente como Marisa Monte, que em turnê pela cidade veio só para ver o cantor. "Ele é excepcional", exaltou.
Ovacionado após cantar o bis Hope There´s Someone, Anthony agradeceu, pegou sua bolsa que estava ao lado do piano e saiu do palco.
As informações são do repórter James Cimino do Terra