Rio - Meryl Streep cantando hits do Abba, saltitante e feliz, a própria ‘rainha da discoteca’ dos versos nostálgicos de ‘Dancing Queen’. Parece improvável, mas é fato: ‘Mamma Mia’ está aí para provar que a atriz mais querida de Hollywood, celebrada por papéis dramáticos, vencedora do Oscar duas vezes e indicada outras 14 (um recorde), sabe fazer rir e — por que não? — cantar. Aos 59 anos e em ótima forma, ela estrela o musical que chega aos cinemas brasileiros dia 12, com uma missão e tanto: fazer jus aos sucessos do quarteto sueco que, nos anos 70, embalou pistas e corações com seu pop radiofônico (com músicas como as que ilustram esta página), visual extravagante e cabelos volumosos.
Streep tinha seus 20 e tantos anos na época em questão e imaginava o quarteto só como grupo de dance music. “Eu e meus amigos costumávamos dançar ao som do Abba, mas confesso que nunca prestei atenção nas baladas”, diz a atriz, que só conheceu canções como ‘Slipping Through My Fingers’ (‘Escorregando Pelos Meus Dedos’) quando assistiu ao musical na Broadway em 2001. “Foi quando me apaixonei por ‘Mamma Mia’. A primeira vez em que vi o musical foi logo depois do 11 de Setembro. Estava tentando encontrar algo para fazer com minha filha, que tinha 10 anos, e seus amiguinhos. Sete pais da escola dela haviam morrido no atentado. As crianças estavam tristes. No fim da apresentação, estavam pulando em seus assentos e, em torno de nós, senhoras dançavam. Achei que era um bom remédio para a alma”.
Ela tem razão. No filme, que gira em torno do casamento de garota de 20 anos, filha de Donna, personagem de Meryl, é inevitável que a platéia cante junto. Romance e humor dançam lado a lado, a partir da travessura da jovem, que convida para a cerimônia três ex-namorados da mãe, para descobrir quem é seu pai. Entre eles está o ex-007 Pierce Brosnan, com quem Meryl estrela uma das cenas de maior carga dramática, na emocionada ‘The Winner Takes it All’ (‘O Vencedor Leva Tudo’). Nela, a atriz assume ares de diva de ópera, não por acaso: na infância, sonhava ser cantora lírica e teve aulas de canto até os 12 anos. “Meu pai costumava tocar piano e minha mãe acompanhava-o cantando. Eram fãs da música romântica dos anos 30 e 40”, lembra a atriz que, no filme, não precisou de dublê para difíceis cenas com coreografia e gravou boa parte das músicas de primeira, sem repetição. “Nunca sou chamada para musicais, tinha que aproveitar. Há muito tempo não me divertia tanto num set, de onde eu era praticamente expulsa. Chegava ao fim do dia exausta, dormia bem e no dia seguinte estava pronta para outra”.
GRÉCIA INESQUECÍVEL
As memórias de Meryl das filmagens na Grécia são tão entusiasmadas quanto a trama. “Nunca imaginei que pudesse me divertir tanto escalando uma parede enquanto cantava ‘Mamma Mia’”, diz a atriz, em referência à cena em que entoa o hit supremo do Abba. Pouca gente sabe, mas a canção salvou o grupo de cair no esquecimento. Lançada no terceiro disco, serviu para provar que o quarteto poderia ir além do então hit único, ‘Waterloo’. O resto é História.
FÃS FAMOSOS
Além de reunir mais de 20 hits do Abba, o filme transporta para a tela o clima festivo da peça. Os diálogos ficam mais espaçados a partir de ‘Dancing Queen’, quando as letras das canções explicam tudo, como lembra Meryl. “Depois desse ponto fica irresistível”, avalia. E mais trabalhoso. “Levamos três semanas para aprender a cantar e dançar ‘Voulez-Vous’, ensaiando oito horas por dia. Foi intenso”, observa. Valeu a pena. A música surge em cena apoteótica.
O clima de festa também estará presente no Museu do Abba, que será aberto em junho em Estocolmo. Fãs famosos comemoram. “Sou fã do Abba, quem não é? Amo ‘Dancing Queen’. É o máximo cantá-la aos berros”, diz Stella Miranda, em cartaz com o musical ‘Caidaça’. Gottsha também é fã: “Adoro o Abba. Amo ‘Mamma Mia’ e ‘There’s Something Going On’, que é escandalosa’. Abba é um marco na música pop mundial”, diz a cantora-atriz, destaque da peça ‘Beatles num Céu de Diamantes’.