Rio - O samba nasceu na Bahia e veio se “diversificar” no Rio, diz a carioca Beth Carvalho, 62 anos. O baiano Riachão, de 87, vê a história de outro jeito: “O samba é o nascimento do Brasil”. Essa variedade de visões — sobre o samba e outros orgulhos nacionais — estarão expostas, de quarta a domingo, na Marina da Glória. Durante cinco dias, manifestações culturais de todos os cantos do País se concentrarão no evento ‘Brasil Rural Contemporâneo’, que se dedica a promover a produção familiar e artesanal.
Os encontros musicais são o principal chamariz. Na abertura, o carioca Jorge Benjor e os recifenses do mundo livre s/a mostrarão as afinidades entre o ‘samba esquema novo’ do primeiro e o ‘samba esquema noise’ dos últimos. Beth Carvalho, madrinha do samba no Rio e agora também na Bahia — está prestes a ser declarada cidadã baiana — adorou a iniciativa. “A feira afirma a importância da reforma agrária e da diversidade de culturas do País”, diz a cantora.
‘Seu’ Riachão, mais poético, diz achar “este evento um amor”: “Vai ser todo mundo juntinho, cantando, levando as coisas do Brasil para o povo”, disse ele, que se apresenta com Beth, sexta-feira, ao lado do repentista Bule Bule e do grupo Sambadeiras do Recôncavo.
Para o sambista, autor de clássicos da música brasileira como ‘Vá Morar Com o Diabo’ e ‘Cada Macaco No Seu Galho’, apresentar-se no Rio é sempre um prazer. “Visitar a cidade do povo que gosta do samba é uma alegria para mim. E ao lado da minha grande amiga Beth, mais ainda. Vamos brincar e sambar”, avisa.
No show que fará com ele, Beth apresentará um pot-pourri de sambas de roda da Bahia, além de seus carioquíssimos sucessos como ‘Vou Festejar’ e ‘Coisinha do Pai’. “É para fazer bem essa ponte Rio-Bahia”, diz a cantora. Para Riachão, a apresentação conjunta é uma volta ao passado.
“As Sambadeiras já dançavam nas senzalas, onde o samba começou. E o repente do Bule Bule também veio logo com o nascimento do samba”, explica ele, que não vê diferenças entre o samba do Rio e o baiano. “Tudo é música, então para mim está tudo certo.”
A feira terá uma característica diferente da dos eventos que costumam acontecer na Marina da Glória, como Tim Festival: os preços são populares. A entrada custa R$ 15 e dá direito, além dos shows, a uma área de expositores com mais de 10 mil produtos, um espaço exclusivamente para degustação de cachaças e um local para piqueniques à beira-mar. De quarta a sexta-feira, o evento ficará aberto das 13h às 23h; sábado e domingo, das 10h às 23h.
Quem vai tocar:
Dia 26: 21h: mundo livre s/a (PE) e 22h30: Jorge Benjor (RJ).
Dia 27: 21h: DJ Tudo (SP) e Mestre Biu do Pife de Caruaru (PE); Os Ritmistas (RJ) convida Totonho (PB) e Jongo da Serrinha (RJ) e 23h: DJ Dolores (PE).
Dia 28: 21h: Leci Brandão (RJ); 23h e Beth Carvalho (RJ) convida Riachão, Bule Bule e as Sambadeiras do Recôncavo (BA).
Dia 29: 21h: Casa de Farinha (DF); 22h: Afoxé Oya Alaxé (PE) e 23h: Cordel do Fogo Encantado (PE).
Dia 30: 21h: Rita Ribeiro convida Tambor de Criola As Três Marias (MA) e 22h30: Eletrosamba convida Gerson King Combo, Fernanda Abreu e Nós do Morro (RJ)