Rio - Com uma câmera oculta e truques para manter o anonimato, o desconhecido grupo ‘HojeéBão’ se transformou na nova aposta do ‘Casseta e Planeta’ para testar situações inusitadas, no quadro ‘Casseta Confere’, a exemplo do que ocorre em programas de humor mais de rua, como o ‘CQC’, que tem feito sucesso na Band.
“A idéia não é fazer uma cilada, e sim testes engraçados. Como perdemos esse ‘anonimato’, não teríamos como ir às ruas para fazer isso”, explica o ‘Casseta’ Cláudio Manoel. Em um dos quadros, previsto para ser exibido semana que vem, o grupo vai a sorveterias descobrir quantos sabores é possível experimentar antes de decidir.
“Na primeira pedimos para provar 32, na segunda foram 20 e poucos, na terceira e na quarta, como fomos ficando enjoados, foram menos”, conta Alessandro Goldbach, um dos integrantes do ‘HojeéBão’, que já tentou entrar em um motel com um jegue: “Não entendi até hoje por que não deixaram. Expliquei que a nossa relação era estável. O pessoal é muito careta”, brinca.
Ex-alunos da PUC, os jornalistas Fabio Rychter e Ricardo VR (que ganhou o apelido em homenagem a sua cidade natal, Volta Redonda) e os publicitários Fernando Aragão e Alessandro começaram a carreira como estagiários do site do ‘Casseta’ e, aos poucos, ‘lavando muito chão’, como dizem, foram mostrando o talento aos patrões e conquistaram vaga de redatores da atração. Na Internet, há vídeos de humor em que os integrantes mostram seus rostos — não publicados nesta reportagem para ‘entrar na brincadeira’ do grupo. “Vamos ser demitidos!”, faz drama Alessandro Goldbach.
Paralelamente, eles ganham a vida em eventos corporativos com o grupo de humor ‘HojeéBão’, formado há 10 anos. “O nome é interativo. Uns acham que somos mineirinhos e outros, com a mente pervertida, entendem o duplo sentido”, brinca Alessandro, que já tem outra idéia para ganhar mais dinheiro: “Vamos fazer exame de DNA para comprovar que os ‘Cassetas são nossos pais”. O grupo só tem elogios aos ‘pais’. “Não pode falar mal do patrão (risos). Eles são bem flexíveis, estão sempre se renovando”.
Ibope mais baixo por causa de ‘A Favorita’
A menos de um mês das Olimpíadas de Pequim, os ‘Cassetas’ decidiram não ir à China para satirizar os jogos. “O que pesou na nossa decisão foi a proibição de usar figurino e caracterização. Para ir até lá com tanta restrição, é melhor não ir”, opina Cláudio Manoel. No ar há 16 anos, o ‘Casseta e Planeta’ vem sendo acusado de falta de criatividade — a atração registrou 24 pontos de média no Ibope, a pior audiência de sua história, dia 8, mesmo dia em que a Record estreou ‘Chamas da Vida’.
“Se o nosso produto não é bom, por que a novela não ganhou? Com toda a campanha de marketing que teve, se ganhasse seria normal. Mas eu queria ver ganhar toda semana”, alfineta o humorista, acusando a influência do baixo ibope de ‘A Favorita’. “Antigamente, ‘Senhora do Destino’ passava com 60 pontos de média.
Não precisava fazer esforço. A gente podia colocar uma tela preta que conseguiria boa audiência, mas isso não acontece mais. Acredito que a novela vá pegar, mas atualmente ‘recebemos’ o programa com 32 pontos”, desabafa Cláudio Manoel, convicto da qualidade de que faz. “Não admito levar tiro sem me esquivar e poder dar o troco”.
NA BAND
"CQC" VAI À CHINA, APESAR DAS RESTRIÇÕES
Com o ‘Casseta e Planeta’ fora da jogada, o ‘CQC’ já tratou de pedir visto e se prepara para os Jogos Olímpicos. Responsável pela cobertura esportiva do programa, Felipe Andreoli embarca para Pequim dia 31. O rapaz anda ansioso com as restrições impostas à imprensa no país.
“Outro dia, vi uma cena em que um repórter era expulso da Muralha da China, ao vivo. Confesso que me deu friozinho na barriga. Vai ser uma aventura!”, conta Felipe, que apesar do receio não pretende perder o tom crítico do ‘CQC’: “Não temos a pretensão de ir à China para discutir Direitos Humanos, mas sempre que puder vou inserir esses aspectos nas matérias”. As reportagens de Andreoli irão ao ar durante o programa, às segundas-feiras. (Beatriz Mota)