Rio - Cauã Reymond quer se casar em dois anos, ter muitos filhos e uma família bem unida, ao contrário da sua. Seus pais se separaram quando tinha 2 anos. A mãe, então na onda hippie, aos 18 anos, lhe deu o nome que quer dizer ‘filho do sol’ em havaiano. Aprendeu a surfar em Camboriú (SC), onde morou com o pai, dos 14 aos 18. O “bunda-mole” que nem jogava futebol no Rio, seguiu o pai-surfista-lutador de jiu-jítsu e psicólogo: aprendeu a surfar, ganhou orelhas de couve-flor como bicampeão brasileiro de jiu-jítsu — depois foi campeão americano — e, óbvio, nunca mais abandonou a análise.
Confira mais fotos de Cauã!
“Tenho desejo de ter uma família unida. Nunca fiquei mais de dois anos numa escola”, lamenta. E se corrige. “Mas já passei da fase de reclamar, estou na fase de construir”, diz o Bolinha, que comia oito bananas amassadas quando bebê e falou “carro” antes mesmo de “mamãe” e “papai”. Aos 18 anos, virou modelo e tentou a vida em Milão, Paris e Nova Iorque, onde também dava aulas de jiu-jítsu e pintou até parede do curso de Cinema que fazia em troca da bolsa de estudos.
Da mãe astróloga, herdou um vício: mapa astral. Já trocou até de contador e diz que as finanças melhoraram por seguir as previsões. “Taurino é materialista. Gosta de coisa durável. Coisa que não quebra. Traz segurança”, explica. Coisas sólidas, “poucas e boas”. O smoking dos bailes de debutante de quando era o Maumau de ‘Malhação’ já se foi. Hoje, usa o Hugo Boss, herdado do figurino de uma peça. TV, só tem uma. Sapatos legais, tem um Versace e outro sem marca, seu preferido. “Não sou pão-duro. Mas também não precisa gastar com supérfluo. Prefiro uma boa viagem”. A namorada o ajuda a se reciclar. “Tinha um celular tijolão até outro dia. Esse novo, foi a Grazi quem me deu”.
A disciplina física foi abandonada por dois meses para fazer o filme ‘Se Nada Mais Der Certo’, de José Eduardo Belmonte, no qual é um jornalista falido que vira estelionatário. “Fumei Marlboro dois meses, não malhei, me despi da vaidade e da saúde. Às vezes, malhar dá sanidade”. Vê se encara: ele faz natação, musculação, pedala no Recreio e corre na areia. A cicatriz do rosto não é do jiu-jítsu, e sim por ter caído de cara numa mesa de mármore depois de um tombo de skate.
Regrado na alimentação, para manter os 76 kg em 1,82 m, Cauã se permite alguns brigadeiros, compensados com cápsulas de clorela — alga desintoxicante —, ômega 3 e multivitamínicos. Assume-se vaidoso, diz que seu ponto forte são as costas largas. Toma florais para melhorar a rinite e gosta de acupuntura. Fã de sushi, tem fornecedor de peixe fresco. E se orgulha da horta que cultiva na varanda do apartamento, onde planta hortelã, cheiro verde, boldo, cebolinha e afins. De manhã, toma um copão de suco de luz do sol, mistura que leva maçã, inhame, agrião e clorela.
A saúde ajuda na ‘química’ cênica com as atrizes. “O Halley vai do Gato de Botas, de ‘Shrek’, ao Lobo Mau”, ri Cauã, que jura não se constranger em cenas como a do sexo no chuveiro com Lara (Mariana Ximenes) ou as com a atrevida Céu (Deborah Secco). “Cenas insinuadas são mais quentes. O erótico é mais bonito que o pornográfico”. Deborah faz coro. “Nossas cenas têm sempre surpresa e uma química boa. Ele é muito entregue”, ressalta.
Nem sempre foi assim. Vera Holtz,citada por Cauã como referência, e que contratava os serviços do garoto de programa que fazia em ‘Belíssima’, entrega. “Ele queria que fosse beijo técnico, mas não sabia como me falar por causa da falta de intimidade e da timidez dele. Era uma preocupação quase feminina dele”, ri Vera.
Fã de ‘O Último Tango em Paris’,‘Piratas do Caribe’ — “Me divirto com minha irmã” — e ‘Paciente Inglês’ — “Choro muuuito” —, para viver Halley se inspirou em ‘Acossado’. “Não me considero chato, mas determinado. Em casa, sou muito bem-humorado”, reconsidera. Seu lema poderia ser o que criou quando Halley pede humildade. “É bola na grama, hein, amor”. Sem salto alto.