Rio - Um dos mais prestigiados atores brasileiros, Selton Mello estréia como diretor de cinema em ‘Feliz Natal’ pouco preocupado em atrair a atenção do público médio. Seu filme, cuja ação é situada numa noite de Natal de uma família desestruturada, é ambicioso na forma — com enquadramentos que fogem do convencional —, embora não encontre no roteiro matéria-prima à altura de suas pretensões.
Basta observar o truque do desfecho, com uma fatalidade óbvia. Selton arranca do elenco boas interpretações, especialmente de Darlene Glória, como a mãe alcoólatra do clã, que recebe a visita da ‘ovelha negra’ da família, papel de Leonardo Medeiros.
Há, no filme, uma inegável inspiração no argentino ‘O Pântano’ e, vale lembrar, histórias de desagregação familiar existem aos montes na ficção. Mas ‘Feliz Natal’ talvez tente se aproximar especialmente de uma: ‘Festa de Família’, primeiro filme realizado sob os mandamentos do Dogma 95, sem obter, contudo, a catarse provocada pelo longa dinamarquês. Entre altos e baixos, ‘Feliz Natal’ tem como principal mérito a coragem de não fazer concessões.