Rio - Ao sentar-se à mesa para dar início a sua participação na série ‘Depoimentos Para a Posteridade’, do Museu da Imagem do Som, na Praça VX, o escritor e cineasta Domingos de Oliveira avisou: “Essa entrevista é impossível porque a vida da gente é um assunto grande demais para se resumir numa tarde”. Mas não era um rechaço à homenagem.
Aos 72 anos, por vezes, contou suas histórias com a voz embargada. “Quando jovem, tinha ânsia de cultura. Lia enciclopédias para ver os autores que não podia deixar de ler, compositores que não podia deixar de ouvir.
E também, por conta da criação de minha mãe, Carmelita, não consigo ser pouco gentil com as mulheres, senão me sinto culpado, e por isso sou dominado por elas”, relembrou o autor e diretor do longa ‘Todas as Mulheres do Mundo’ (1966).
No longa, Domingos reproduziu o que foi seu casamento de três anos com Leila Diniz, protagonista ao lado de Paulo José. “É uma fábula que parece simples, mas é profunda. O homem se casa, mas não quer ficar com uma só. A questão da fidelidade que até hoje me angustia, e com Leila Diniz, acabou por inquietude da juventude. Eu queria ter todo mundo. Mas o filme nos redimiu, ficamos amigos”, conta.
O fato de ter se dedicado a escrever sobre as relações humanas lhe rendeu a fama, no período da ditadura, de ‘alienado’. “Política não é a coisa mais importante do mundo, e sim, o amor. Não escondo as misérias do mundo, mas quando escrevo sou um funcionário da vida e trabalho no departamento de propaganda”, filosofa ele, também chamado ‘o homem das mulheres’.
“Queria ter tido 10 vezes o número de mulheres que tive, sou na verdade o ‘homem dos amores’”, diz ele com inúmeros projetos prontos, e uma outra infinidade na ‘pasta legado’. “Lá tem projetos que já sei que não vou conseguir realizar nesta vida”, define.