Rio - Do sexo à soja transgênica. Do bioterrorismo à Assembléia de Deus. Ao mesmo tempo em que cultiva as raízes plantadas no sertão paraibano onde nasceu, Elba Ramalho mantém ligadas suas antenas parabólicas. A mistura sonora e filosófica sintetiza o novo disco da cantora, ‘Qual o Assunto Que Mais lhe Interessa?’, que gerou a turnê ‘Raízes e Antenas’, show que sexta-feira à noite aterrissa na Praia do Forte, em Cabo Frio, evento pré-réveillon. “Não me apeguei a fórmulas e me descompromissei com o mercado.
Fiz meu som revitalizado e universalizado. Esse é um dos melhores shows de minha carreira”, diz Elba. Ela estava há mais de dois anos sem gravar, e voltou celebrando a diversidade musical, com arranjos modernos e leves temperos eletrônicos, em ritmos como frevo, boi maranhense, ciranda e samba. O repertório tem músicas como ‘Trânsito’, de Lenine e Arnaldo Antunes, e ‘Noite Severina’, de Pedro Luís e Lula Queiroga (produtor do CD). A faixa-título (‘Qual o assunto...’) é uma reflexão sobre temas que estão na ordem do dia no mundo.
“Houve a ditadura, o ‘power flower’ e as drogas, imaginamos o fim das guerras e foi ao contrário. Quero saber para onde vamos, e o que podemos fazer”, diz a cantora. O disco foi lançado pelo selo independente Ramax, criado por Elba com o marido e produtor, Gaetano. E foi ele que disse à mulher: “Você é uma artista e cantora fantástica, mas ainda não fez um disco que mostrasse isso na totalidade”. E viabilizou o projeto do CD e de um DVD que será lançando em breve, com show e documentário biográfico.
No filme, Elba aparece visitando Conceição do Piancó, sua cidade natal, onde canta ao lado do pai, e depois em sua casa atual de Trancoso, na Bahia. “É minha trajetória, do mar ao sertão. Vi o mar pela primeira vez com 12 anos e ele até hoje me seduz. Mergulho, nado e navego”, afirma a cantora.