Rio - No palco, eles correm contra o tempo controlados pelo relógio, para cravar duas horas com sucessos sem parar. Fora dele, o tempo corre a favor dos irmãos Zezé Di Camargo e Luciano. No auge da carreira e há quase dois anos sem cantar no Rio — estréiam na sexta-feira o show ‘Duas Horas de Sucesso’, que fica até domingo em cartaz no Citibank Hall — a dupla de artistas brasileira mais conhecida na intimidade — no estilo ‘ouça a música, veja o filme e leia o livro’ — conjuga trabalho e vida pessoal e transforma o tempo disponível em combustível para a longevidade.
Luciano, por exemplo, nunca tinha tirado dois meses de férias e se esbaldou no início do ano, enquanto Zezé realizava outro sonho familiar, a série de shows com a filha Wanessa. “Na vida social, procuramos ter o mínimo contato possível”, diz Zezé. E comenta o sonho realizado com a filha: “Foi muito divertido e emocionante. Choramos e cantamos juntos. Vamos repetir a dose”, conta Zezé. E Luciano arremata: “Saí para namorar bastante, na fazenda e na praia. Zezé e Wanessa podem continuar ano que vem, porque adorei a idéia”, brinca Luciano.
O novo show traz mais uma vez, em projeções, um pedaço da história da família e apenas canções cantadas em português, com destaque para o set em que o palco se transforma em fazenda com violeiros do rasqueado cuiabano.
“A surpresa dessa vez foi não trazer novo repertório, mas o velho”, diz Luciano. “É show para saciar nosso público. Nada de cantar Freddie Mercury, mas o que tocamos nas horas vagas, na fazenda”, completa Zezé.
Raízes Sertanejas
Os irmãos acham importante deixar claras as raízes sertanejas, no momento em que as portas do que chamam por aí de MPB já encontram-se escancaradas para eles. No início do ano, Maria Bethânia ligou para Zezé chamando-os para cantar no aniversário da mãe, Dona Canô. “Ficamos muito honrados, mas já tínhamos um show marcado”, conta Zezé.
E revela um detalhe mostrando que a dupla, após vender mais de 20 milhões de discos, chegou ao lugar que todos buscam no pódio do ‘show business’: “Agora somos nós que determinamos o número de shows que fazemos por ano, em torno de 120”, afirma, senhor do tempo.