Rio - O batidão dos bailes foi repaginado e está registrado em ‘LongPlay’, novo álbum de Lulu Santos, que traz ‘Se Não Fosse o Funk’, de MC Marcinho, e ‘Deixa Isso Pra Lá’ (clássico conhecido na voz de Jair Rodrigues e considerado o primeiro rap brasileiro), agora ao som do tamborzão. Mas o horizonte musical do cantor está bem mais amplo do que sugere o CD. Depois de participar do acústico dos irmãos Sandy e Junior (com lançamento em setembro), Lulu se comprometeu com o pai da dupla: estará no novo trabalho de Chitãozinho e Xororó. “Eles têm uma realeza, é quase como tratar com a família real, em muitos sentidos. Os meninos são de um carinho, de um respeito... ela conhece todos os códigos profissionais. O menino é cheio das melhores intenções, quer de fato vivenciar a musicalidade dele”, elogia Lulu.
Pé-ra-lá! Não foi o próprio Lulu que comprou briga com a classe no programa do Faustão ao declarar que música sertaneja era trilha do governo Collor, no longínquo ano de 1992? “Jamais fui autor da frase ‘espingarda de cano duplo foi feita para matar dupla sertaneja’, atribuída a mim. Ter aceitado esse convite agora ajuda a desfazer um mal-entendido em grande escala”, diz.
Segundo Lulu, ele só quis chamar atenção dos “colegas sertanejos” e que seu alvo era unicamente o ex-presidente. “Aquele confisco para mim foi um golpe de estado, levei seis meses para me recuperar. E tinha visto todos os sertanejos, os mortos, os vivos, cantando e dando apoio ao Collor. Mas foi ingenuidade minha. Todas essas pessoas depois foram contratadas pelo PT para a campanha do Lula”, alfineta.
Já o flerte do cantor com o funk (“É a música de ponta eletrônica mundial”) não vem de hoje. Lulu lembra que o CD ‘Eu e Memê, Memê e Eu’ trazia a dupla William e Duda. “Foi em 1995, quando ninguém falava de funk”, diz o cantor, defensor do gênero. “Sempre apreciei e nos últimos quatro anos tenho prestado mais atenção. Sendo que nos últimos dois anos o meu contato tem sido maior, tardiamente”, revela.
Planejado com mais tempo que o disco anterior (‘Letra & Música’), ‘LongPlay’ começou a ser gerado no fim de 2005. “Muitas das músicas já eram tocadas nos shows, como ‘Olhos de Jabuticaba’. Não tive ansiedade de ver o CD pronto e segui fazendo show.
Antes, não suportava levar seis meses fazendo um disco”, reconhece Lulu, que agora, aos 54 anos, acha graça de ver seus primórdios resgatados no mais popular site de vídeos da rede. “Esse YouTube é cruel, vejo coisas minhas de cortar os pulsos.”
SOFISTICAÇÃO NA CAPA
‘LongPlay’ traz ‘Domingo Maldito’, que revela a implicância de Lulu Santos com o primeiro dia da semana. ‘Propriedade Particular’ mostra um certo flerte do cantor com o samba. E ‘Seu Aniversário’, homenagem a um amigo de Lulu, periga virar trilha de muita festa por aí. “Nos aniversários que a gente freqüenta isso já acontece”, avisa o cantor.
A direção de arte da capa e encarte do CD é do badalado Giovanni Bianco. Ele é conhecido pelos trabalhos para Madonna e agora tem sido mais solicitado no Brasil: também assinará a capa do novo CD de Wanessa Camargo. “Quando estávamos fazendo as fotos no estúdio ele perguntou há quanto tempo eu não aparecia sorrindo na capa de um disco.”