Olívia Mendonça e Zean Bravo
Rio - Carlinhos de Jesus ainda não se conforma com a final de ‘Dança dos Famosos’, no ‘Domingão do Faustão’. O coreógrafo, um dos jurados, levantou polêmica durante o concurso ao tirar ponto dos vencedores Rodrigo Hilbert e Priscilla Amaral, que dançaram tango fora da linha delimitada no palco. Vaiado pelo público, o dançarino ainda foi rude com a jurada Maria Pia Finocchio, que tentou intervir. “Nem da dança de salão você é”, cortou Carlinhos, ríspido.
Para Carlinhos os números de salsa e tango (os casais apresentaram três ritmos) dos vencedores não convenceram. “Eles dançaram tudo menos salsa. O tango não teve emoção. Não julgo se o candidato estava bonitinho. Dei 9 para não ser mais polêmico. Não sei se quero fazer mais parte do júri. É muita exposição e não preciso”, diz. E assume ter errado: “Fui indelicado com Maria Pia, não precisava. Foi um momento infeliz”, desculpa-se ele, que será responsável pelo novo ‘Dança da Galera’, com anônimos.
O rigor do dançarino, porém, foi questionado. Chegou-se a suspeitar que ele teria protegido alunos de sua companhia. Caso de Átila Amaral, instrutor de Elaine Mickelly, que ficou em 2º lugar. “Eu me afastei da companhia nesses três meses. Ele cobrou mais de mim que dos outros. Mas tive Carlinhos como escola e sei o que o agrada. Conheço o discurso dele”, explica Átila. “Cheguei a ficar p. da vida com o Carlinhos depois de uma nota baixa. Ele já colocou vários defeitos na gente”, completa Elaine.
Parte do público desconfia. Fã do quadro, a psicóloga Suely Bianco aponta que Carlinhos foi tendencioso. “Não deveriam chamar instrutores que freqüentaram escolas dos jurados. É óbvio que não vai ser imparcial.”
Eliminado da competição e presente na final, o ator Carmo Dalla Vecchia não acredita em favorecimento. “Existe um bom senso. Se fosse por esse prisma, não poderia ter ninguém no júri artístico que me conheça ou tenha feito novela comigo.”
Apesar de ter sido mestre de dançarinos eliminados, Jaime Arôxa se esquiva. “As grandes estrelas do quadro são os artistas. Eles é que foram julgados. Nunca a produção nem os jurados favoreceram os instrutores de nenhuma academia”, acredita o coreógrafo.
Quem estava no júri ao lado de Carlinhos não entendeu sua atitude. “Ele ficou nervoso com a pressão do auditório, deveria ter relaxado mais. É um superprofissional, por isso foi rígido. Mas não é o dono da verdade em matéria de dança de salão”, polemiza mais o coreógrafo Renato Vieira, outro jurado do quadro. “Sempre fica um clima quando o público reage e vaia”, completa a bailarina e jurada Ana Botafogo.
Parceira de Hilbert, Priscilla defende-se do deslize na final. “Já havia saído do palco em outras coreografias e fui perguntar se podia. Não existia essa regra. Foi falta de comunicação o Carlinhos não saber”, justifica a moça. “Ele sempre me deu notas boas e conselhos. Conversei com Carlinhos depois do programa e cada um tem sua opinião”, minimiza o vencedor Rodrigo Hilbert.
QUANDO A DANÇA ACABA
Ainda na ‘ressaca’ da vitória, Rodrigo Hilbert vai tirar uns dias para visitar a família em Orleans (SC). “Acabou tudo ao mesmo tempo, foi uma choradeira na sexta (no último capítulo de ‘Pé na Jaca’) e no domingo. Mas estou louco para entrar numa dança de salão perto da minha casa, no Recreio”, diz. Ele não sabe se a namorada, Fernanda Lima, irá acompanhá-lo nas aulas. “Depende dela”.
Professora de Hilbert, Priscilla Amaral chegou a ensaiar durante nove horas diárias com o ator para a final do quadro. “Antes eu era mais uma ali dentro do balé do Faustão. Passei a ter uma identidade”, assume a moça, que nega as brincadeiras do apresentador de que a ‘Playboy’ a quer em suas páginas. “Não seria uma realização para mim, mas depende do dinheiro. Mas não recebi convite”.
Convidada para tirar a roupa na ‘Playboy’, Elaine Mickelly recusou. “A ‘Vip’ me chamou, mas não paga cachê, também não aceitei”, conta a atriz, em cartaz no musical ‘Garota Glamour’, de Wolf Maya, em São Paulo. “O quadro me divulgou. Tive convite do SBT, mas a novela já está sendo gravada e teria que sair do Faustão. A Record também está interessada. Pode ser que fique na Globo. Tomara que eles não tenham levantado minha peteca para outro levar”, brinca. O professor Átila Amaral, de 21 anos, começou há 10 na companhia de Carlinhos de Jesus e agora pretende voltar. “Um dia quero ter minha própria companhia”, diz.