Rio - Impressionada com a ‘catiguria’ de Virgínia (Yoná Magalhães), Bebel (Camila Pitanga) pediu à ex-vedete que se torne sua professora de etiqueta. Embora não tenha formação no assunto, Virgínia topou o desafio de transformar a ex-prostituta numa moça de fino trato e agora recorre aos livros para se aprofundar.
Mas não é só em novela que se recorre a professoras para aprender como se comportar. O curso da Socila, criado por Maria Augusta Nielsen nos anos 50 para preparar misses e modelos, hoje mantém sua última filial, na Tijuca, onde a professora Jôse Aguiar (que foi aluna de Maria Augusta) dá aulas de etiquetas aos sábados.
“O curso inclui ensinamentos de postura, vestuário, etiqueta social e auto-maquiagem”, explica ela, que leciona há 26 anos. “O perfil das alunas é variado: tem moças que vão se casar com empresários, gente que muda para uma empresa que exija um perfil mais sosfisticado, emergentes...”, conta.
Jovina Duarte há 10 anos dá aulas de etiqueta em seus cursos de cerimonial. “É importante na vida pessoal e profissional”, afirma. O colunista de O DIA Bruno Astuto, que vai estrear seção sobre o assunto, concorda. “É uma delicadeza com o próximo. Se a pessoa não respeita certas regras, a mensagem que ela passa é de que não se preocupa com o outro”, explica.
Bruno conta que existem muitos desdobramentos da etiqueta, como a clássica (“Que a Bebel precisa aprender”, exemplifica), a urbana (“Como a Glória Kalil faz na TV, que é a etiqueta no prédio, no carro, no celular”) e a sentimental (“Como terminar um namoro ou como agir se você pegar o seu marido dando em cima de outra, situações assim”).
“Etiqueta é a pequena ética do cotidiano”, define Glória, que responde a dúvidas de espectadores no quadro ‘Etiqueta Urbana’, do ‘Fantástico’, e tem livros sobre o assunto. “Tem que ser uma coisa que responda à necessidade desta época.”
Entre as exigências do nosso tempo, está saber se portar no ambiente profissional. “Fiz o curso buscando mais qualificação para o meu trabalho”, conta a produtora de eventos Rosely Haritoff, que foi aluna de Jovina Duarte. “Num mundo tão massificado como o de hoje, a etiqueta é um diferencial”, afirma Bruno Astuto.
Dicas de etiqueta para situações dos dias de hoje
Um pecado comum é cometido pelos homens que não ligam no dia seguinte a um encontro. “É uma grande falta de educação. Tem que ligar, sim, dizer que adorou e, se não quer mais nada, deixar claro de uma maneira sutil que o encontro não vai se repetir”, ensina Bruno Astuto.
O celular também deve ser visto com atenção.“Levar o celular num jantar e atender é o fim da picada, a não ser que seja uma mãe com criança, algo assim”, diz Gloria Kalil.
A etiqueta deve ser levada em conta até em momentos difíceis, como quando o seu par dá em cima de outra. “Imagina você fazendo cena e constrangendo todo mundo, que não tem nada a ver com isso, num jantar”, reclama Bruno.
Equipe cria cenas das aulas
Os autores não usam consultoria nas aulas de Bebel com Virgínia. “Todos nós, os sete redatores, temos boas — diria que até sólidas — noções de boas maneiras. Aí fica divertido brincar”, diz Gilberto Braga. “Temos uma grande preocupação em não passar nenhuma dica errada. Por mais que as cenas sejam leves, na linha da comédia, tudo o que Virgínia ensina é correto”, faz coro Ricardo Linhares.