Rio - Canos de PVC se transformam em instrumentos loucos nas mãos do trio enigmático de homens azuis do Blue Man Group, que se apresenta no Brasil pela primeira vez. Criado por artistas de rua de Nova Iorque nos anos 80, o grupo se agigantou — atualmente se divide em franquias de 20 companhias fazendo shows pelo mundo — e traz para o Rio, a partir do dia 13, no Citibank Hall, o espetáculo ‘How To Be a Megastar 2.0’ (Como ser uma megaestrela).
“O show depende da participação da platéia. A gente leva cinco ou seis pessoas ao palco. Chega um momento em que todo mundo grita junto. É para crianças e adultos”, diz o diretor artístico Michael ‘Puck’ Quinn, 36 anos, que entrou no ‘Blue Man’ em 93, nas apresentações off-Broadway. “Varria o chão do palco toda noite, depois fui pegando mais responsabilidade”, ri.
O palco de ‘How To Be a Megastar 2.0’ traz um telão, luzes frenéticas, banda com oito integrantes e três ‘blue men’, que batucam vigorosamente o tempo todo, em instrumentos de PVC, sem soltar uma única palavra. O espetáculo que chega ao Rio, depois de passar por São Paulo, entreou nos EUA em setembro de 2006 e parodia, com muita ajuda da platéia e humor, atitudes repetitivas de roqueiros e como se monta um concerto.
Para essa primeira apresentação por aqui, tiveram que se adaptar, com tradução do que é projetado — feita por Cláudio Botelho, o rei dos musicais nacionais — e inclusão de música brasileira na trilha. Puck diz gostar de Sérgio Mendes, ser fã da Tropicália e ter pensado na óbvia ‘Girl From Ipanema’.
A parte musical é fundamental na formação dos integrantes do grupo , que já lançaram CD indicado ao Grammy. Um ‘homem azul’ tem que ser baterista profissional, ator e nem de longe pensar em se sobressair: o show funciona porque o trio é idêntico. Cerca de 75 pessoas já se revezaram no papel. A tinta azul com aparência molhada que cobre o rosto dos artistas é a usada por palhaços e eles colocam toucas para ficar mais iguais.
‘Puck’ diz que não pensa em fazer uma audição atrás de artistas brasileiros, como o ‘Cirque du Soleil’, mas garante que estarão abertos a conhecer aqueles que se identificarem com o trabalho do grupo. “Preciso de performers, talvez ache algo bom no Brasil’, acredita.
Com uma loja em Nova Iorque somente para desenvolver os instrumentos do grupo, uma das performances que deve impressionar os brasileiros em ‘How To Be a Megastar 2.0’ deve ser justamente a em que usam um piano modificado. O instrumento perdeu a tampa e ficou com uma única nota, arrancada a base de um martelão de borracha. “É um som bem profundo. Para ser um ‘blue man’ tem que ter muito vigor”, ri ‘Puck’.