Rio – Temperatura agradável, um Circo Voador confortavelmente lotado e o clima,imagens e odores dos anos 60 tomando conta do ambiente. Este era o cenário antes da entrada dos Mutantes no palco, no último sábado. Um público basicamente formado por jovens invadiu o Circo para ver a primeira apresentação do grupo no mais charmoso espaço para shows da cidade, a casa do rock carioca.
Os Mutantes subiram ao palco pouco depois da meia-noite com a formação atual, na qual três membros originais dão as cartas (os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista), o baterista Dinho. Na linha de frente também temos Zélia Duncan, que no palco parece mais uma fã em êxtase do que alguém que poderia ser confundida com uma substituta de Rita Lee. O ex-baixista Liminha – outro Mutante original e produtor de alguns dos mais importantes discos da música brasileira – é uma ausência, pelo menos instrumentalmente falando, pouco sentida.
O show seguiu o roteiro do cd e dvd ao vivo lançados ano passado, com toda a banda entrando no clima alegre, descontraído e livre do Circo. Assim como a fumaça e os odores que vinham da platéia lembravam os anos 60 e 70, as roupas e sons que vinham do palco eram totalmente psicodélicos. Sérgio Baptista soltou o seu lado "guitar hero" e dedilhou sua guitarra com toques de Jeff Beck, Jimmy Page, Clapton e até mesmo Hendrix, numa noite em que esteve perfeito; seu irmão, Arnaldo, apesar dos problemas, parecia feliz como um editor de caderno de informática no seu primeiro dia de férias; e Zélia Duncan fez o seu papel e ainda ganhou um carinho da platéia após cantar Baby.
Ando Meio Desligado, Balada do Louco, Bat Macumba, Panis Et Circenses, Cantor de Mambo e outros números passearam pela sonoridade de grupos como Lovin" Spooful, Led Zeppelin, Beatles, tudo misturado no inconfundível liquidificador dos Mutantes, que deixou todos com uma sensação de satisfação. Destaque para o público jovem, que sabia todas as letras do grupo, melhor do que os poucos que viveram a época do auge do sucesso dos irmãos Baptista, ao lado de Rita Lee .
Fim da noite e a desconfiança de que a época do amor livre e dos protestos contra as guerras e injustiças sociais haviam voltado pelas duas horas de show. Resta saber se em março de 2008 teremos uma nova fornada de "pequenos mutantes" saindo das maternidades do Rio. Tomara!