Rio - O Kid Abelha está fazendo bodas de prata este ano, mas para Paula Toller o tempo anda em outra velocidade: é só dar uma boa olhada na foto ao lado. A banda da cantora decidiu tirar férias e ela aproveitou para lançar ‘SóNós’ (Warner), seu segundo CD solo, após um intervalo de nove anos entre sua primeira aventura particular na música. “Só mei dei conta de que já são nove anos quando decidi fazer o disco. Parece que o tempo não passa, né?”, pergunta a cantora carioca, que em agosto chega aos 45 anos melhor que muita menina de 20.
“O legal de esperar bastante é que você tem outra vida para contar”, ela diz. E esta nova vida está nítida na capa do CD. “Às vezes eu olho a capa e parece que estou pelada. Nossa, estou invadindo o outro com esse olhar”, espanta-se, maravilhada, durante a primeira entrevista virtual que já concedeu. “É um disco absolutamente cru, no sentido de honesto. Sou eu inteira lá. Por isso essas fotos tão próximas”, explica.
Ela sabe que a presença feminina, ainda hoje, é rara no meio musical. Mas nunca se fez de rogada. “às vezes as cantoras reclamam, tem aquela síndrome de Chico e Caetano, de dizer que depois deles ninguém mais presta. Acho um pouco de preguiça: quando você não está vendo coisa nova num lugar é porque está procurando no lugar errado”, diz.
Paula foi procurar nos mais diversos cantos as parcerias do disco, todas masculinas. Do Rio Grande do Sul, trouxe Nanung, compositor do grupo Os The Dhárma Lovers e de ‘Meu Amor Se Mudou Pra Lua’, música de trabalho do disco. O surfista pop Donovan Frankenheiter canta com ela em ‘All Over’, Rufus Wainwright aprovou ‘Tudo Se Perdeu’, versão da cantora para ‘Vicious World’, Erasmo Carlos presenteou-a com ‘?’ e os amigos Dado Villa-Lobos e Fausto Fawcett dividem com ela a assinatura de ‘Pane de Maravilha’.
O processo de composição muda de acordo com o parceiro. “Com cada um é uma coisa diferente. É que nem sexo”, brinca.
Paula instiga a intimidade, nas letras e e nas fotos do CD, mas diz sentir-se “constrangida com os estereótipos muito femininos”. “Tenho dificuldade em lidar com isso”, diz. E diz que nem se acha tão bonita assim. “Meu segredo é um bom fotógrafo e um bom maquiador. Você não sabe como eu sou quando acordo”, ri. A gente imagina, Paula.
DOWNLOAD DE CALÇA JEANS?
Paula Toller sente o tempo passar, sim, enquanto vê o filho Gabriel crescer. Para ele, ela compôs ‘Barcelona 16’, em que constata: “Eu não sabia que existia/ Esse outro parto, de partir”. “Fiz quando ele começou a se emancipar. Chorei muito”, conta a cantora, que não reprime o filho quando baixa músicas, embora ela seja contra. “Não acho justo baixar música de graça. Eu também adoraria baixar uma calça jeans”, faz piada. “E quem vai dar um link de presente de aniversário?”