Roskilde, Dinamarca - Enquanto os senhores ingleses do The Who apresentavam sábado à noite show emocionado no palco principal do Roskilde Festival, na cidade a 40 minutos da capital da Dinamarca e sede de um dos maiores festivais de música da Europa, outra tenda do evento começava a encher para presenciar uma experiência bizarra, mas divertida: o show de ‘funk’ do trio curitibano Bonde do Rolê, verdadeiro fenômeno na Europa.
Com o som dos bailes misturados a samplers de rock, os DJs Rodrigo Gorky e Pedro Déyrot e a MC Marina Ribaski empolgaram a platéia gringa que lotou a apresentação brasileira.
Ninguém entendia os palavrões, nem mesmo as letras absurdas de músicas cantadas em português como ‘Dança da Ventuinha’ (que traz o verso ‘assopra o meu saco’ no refrão). Mas isso pouco importava. O público não conseguiu ficar parado diante da vibrante performance do trio, que interagia com a platéia em inglês, fazendo piada o tempo inteiro. “Gorky (o cada vez mais gordo produtor e DJ) é o homem mais sexy vivo no Brasil”, debochava Pedro, ao apresentar o parceiro.
Animadas, as louras escandinavas agitavam os bracinhos e mexiam os ombros. Rebolar o quadril e descer até o chão não parece fazer parte da coreografia gringa em um baile funk. Afinal, as tchutchucas européias não tinham a quem copiar. No palco, a doidinha Marina dançava funk de forma caricatural, se contorcendo o tempo todo. A platéia reagia ao seu modo: muitos gritos e socos no ar. E, claro, todo mundo dançava.
“Não entendo o que eles cantam, mas a música é contagiante”, elogiou a dinamarquesa Ulla Henssel, de 23 anos, que fechava os olhinhos verdes e pulava como se não houvesse amanhã ao som do ‘Funk da Esfiha’, do refrão ‘Tem mosca/ tem barata/ tá mofada/ essa esfiha é uma graça’.
Todo mundo queria mais era se acabar com o ‘baile funk’ (nomenclatura usada para definir o pancadão brasileiro). “O Bonde do Rolê vai começar?”, perguntou, bastante atrasado, um norueguês que acabava de entrar na tenda. Quando percebeu que o show estava na reta final, sacolejou enquanto pôde e se mandou. Os luso-angolanos do Buraka Som Sistema, que ocuparam a tenda depois do Bonde de Curitiba, não pareciam ser tão populares como os representantes brasileiros.
Tão famosos e ainda mais elogiados no circuito de festivais do verão europeu, os paulistas da banda Cansei de Ser Sexy, conhecidos pela alcunha de CSS, também lotaram o palco Odeon, na sexta-feira. O grupo está com a moral elevada e foi ovacionado numa performance elétrica. Mas a principal diferença entre Mariana, do Rolê, e Luiza Lovefoxxx, do CSS, é que a segunda parece se levar a sério demais.