Rio - O fascínio de Gilberto Gil pelas novas tecnologias já era anunciado em músicas como ‘Cérebro Eletrônico’, em 1969. Mas agora ele levou o assunto para a prática. Sua nova turnê, ‘Banda Larga’, teve música lançada no YouTube e Gil incentiva fãs a fazerem fotos e vídeos dos shows, enviados para o site oficial do cantor. Lá também estão músicas do baiano para serem remixadas. “A gente tem tido uma resposta muito grande. Aqui na Europa, o pessoal tem mandado bastante coisa”, conta ele, por telefone, da Itália.
A turnê passa por cidades de Portugal, Marrocos, Espanha, Suíça, França, Finlândia, Itália e chega ao Brasil dias 10 e 11 de agosto, no Circo Voador, onde Gil se apresentou em janeiro com o Trio Expresso 2222. “Gosto muito de lá, inagurei o lugar, sou fã do Circo”, elogia.
Gil já estava em turnê na Europa, durante suas férias, quando a tragédia com avião da TAM intensificou o caos aéreo, mas não se furta a comentar os problemas do Governo Lula. “Como diz o velho ditado chinês, crise é oportunidade de rever. Rever a questão da aviação, aeroportos, modelos de negócios das companhias e as alternativas ao transporte aéreo, como os trens de grande velocidade”, acredita ele, que está viajando pela Europa de ônibus, trem e avião.
“O controle do tráfego aéreo está sendo remodelado no mundo todo, vai passar a ser feito por satélite. Os Estados Unidos deram prazo até 2020 para se remodelar, e o Brasil também está empenhado nessa mudança”, diz.
GREVE ESTÁ NO FIM
Gil defende que a questão aérea é problema de toda a sociedade. “O povo tem que decidir se quer aeroportos mais seguros, só que fora da cidade. A decisão regulatória é do governo, mas a sociedade tem que optar”, diz.
A área do ministro também não está em boa fase — a greve na Cultura já dura três meses, fechando museus como o Paço Imperial —, mas Gil diz que as soluções não tardam. “O entendimento avançou e a perspectiva é que a greve termine em pouco tempo.”
A luta por mais investimentos em cultura — “A verba do ministério começou em 0,2% do orçamento e chegamos a 0,8%” — num País de tantas carências básicas passa por muitos dilemas. “Uma das grandes dificuldades é fazer a própria cultura ser vista como necessidade básica”, defende.
VERBAS: DISTRIBUIR MELHOR
Perguntado se continuaria no cargo num próximo mandato, se Lula fizesse seu sucessor, Gil desconversa. “Não tenho idéia”, ri. “Estou tentando dar conta hoje do meu trabalho atual no tempo que tenho”, diz.
O ministro destaca a importância de distribuir melhor os investimentos provenientes da lei de incentivo fiscal. “Essas leis facilitam a vida das companhias maiores, que têm mais impostos a pagar, e em geral estão concentradas nas grandes cidades”, analisa. A idéia, então, é criar meios para que pequenas e médias empresas, além de pessoas físicas, possam incentivar projetos menores e em regiões mais afastadas.