Rio - As aventuras de Laranjinha e Acerola, personagens que cresceram na TV, entre 2002 e 2005, na série ‘Cidade dos Homens’, começam a terminar no dia 31. A estréia do longa-metragem dirigido por Paulo Morelli, sócio de Fernando Meirelles, de ‘Cidade de Deus’, na produtora paulistana O2, é o ponto final na trajetória da dupla. “A história deles termina aqui”, decreta Morelli. Mas, ao contrário da maioria dos filmes derivados de séries globais, o fim deste não é exatamente feliz.
Comparado à série de TV, o filme é barra pesada. Mostra uma disputa violenta pelo morro onde vivem Acerola e Laranjinha, cenas de crueldade de traficantes contra moradores da favela, exílio, execuções, crimes no asfalto. Morelli não esconde que a realidade do Rio de Janeiro ajudou a criar várias seqüências do longa, como o banho de mar do dono do morro. “As histórias nascem dos noticiários dos jornais e dos relatos que ouvimos dos moradores das favelas onde filmamos”, explica o cineasta.
Foram sete locais no total: os morros da Babilônia, Chapéu Mangueira, Vidigal, Turano, Rocinha, Rio das Pedras, além de Rua Alice e Padre Miguel. As semelhanças estéticas com ‘Cidade de Deus’ são evidentes, da fotografia à interpretação naturalista do elenco, que reúne os principais atores da série: a dupla Douglas Silva e Darlan Cunha, que interpreta os protagonistas, Jonathan Haagensen (Madrugadão, o chefe do fictício morro da Sinuca), Eduardo BR (Nefasto, seu ex-parceiro, com quem entra em guerra) e Luciano Vidigal (o ‘traíra’ Fiel).
“O maior desafio era não fazer um ‘Cidade de Deus 2’”, diz Morelli. São mesmo dois filmes distintos. “’Cidade de Deus’ era um filme amplo sobre o tráfico. ‘Cidade dos Homens’ é sobre os moradores de uma comunidade, sobre ser pai numa favela. E só tem dois personagens principais”, explica. E, na despedida de Acerola e Laranjinha, eles sofrem como nunca. “Não quis poupá-los. Eles tinham que crescer, e fomos fundo no sofrimento. É a história do nascimento de um pai (para Acerola/Douglas) e de superação da paternidade (para Laranjinha/Darlan). E o final do filme é triste, porque para garotos como eles as opções são apenas pequenas frestas.”
SOBREVIVER É O GRANDE DESAFIO
O longa ‘Cidade dos Homens’ encerra questões que foram desenvolvidas ao longo dos dois últimos anos da série de TV. Atormentado pelas obrigações precoces de pai, Acerola faz 18 anos e só pensa em conhecer outras mulheres. Laranjinha conduz um moto-táxi e vai fundo na busca pelo pai. Acaba encontrando o sujeito (Rodrigo dos Santos, da série ‘Filhos do Carnaval’), mas um segredo do passado vai estremecer a amizade dos dois. Paralelamente, Madrugadão perde o comando do Morro da Sinuca, e os amigos são obrigados a deixar a comunidade: Laranjinha porque é primo do ex-dono do morro, e Acerola porque é jurado de morte por Nefasto.
O filme vai estrear em 150 salas do País no dia 31. Além das cenas filmadas ano passado, trechos de episódios da série, mostrando os protagonistas aos 11, 13, 14, 15 e 16 anos, foram inseridas como ‘flash backs’. “A série era mais no tom de crônica, enquanto o filme entrelaça diversas histórias”, diz Paulo Morelli.