Maria Rita vai de Gonzaguinha a Arlindo Cruz no terceiro CD
Mauro Ferreira
Rio - Em 1965, já livre do repertório juvenil do início da carreira, Elis Regina abraçou a MPB em LP intitulado ‘Samba Eu Canto Assim’. Quarenta e dois anos depois, Maria Rita, filha de Elis, abraça o samba em seu terceiro CD, ‘Samba Meu’, nas lojas a partir de 14 de setembro.
Produzido por Leandro Sapucahy, ‘Samba Meu’ agrupa 14 sambas, alguns inéditos, outros gravados de forma obscura. ‘Tá Perdoado’, de Arlindo Cruz e Franco, é a faixa enviada às rádios.
Há surpresas na seleção de Maria Rita. Uma delas é ‘O Homem Falou’, samba de Gonzaguinha (1945 — 1991), gravado pelo autor em 1985 no LP ‘Olho de Lince / Trabalho de Parto’. A letra é convite à festa e à união — refeito por Rita com a adesão da Velha Guarda da Mangueira.
Outra surpresa é ‘Mente ao meu Coração’, belo samba-canção de Francisco Malfitano e Pandia Pires, gravado por nomes como Elizeth Cardoso e Paulinho da Viola. Aliás, Paulinho, que entoou os versos suplicantes da música em seu LP ‘Memórias Cantando’ (1976), quase esteve no CD, mas sua participação não se concretizou.
Em ‘Samba Meu’, Maria Rita avaliza Edu Krieger, talentoso compositor carioca de quem já gravara a ‘Ciranda do Mundo’ em seu segundo CD. De Krieger, a cantora interpreta ‘Maria do Socorro’ — samba que traça o perfil da personagem-título, sensação do baile funk de sua comunidade — e a bela ‘Novo Amor’, regravada por Roberta Sá em seu novo disco.
Compositor predominante na ficha técnica, Arlindo Cuz assina com vários parceiros ‘Num Corpo Só’ (samba quebrado, gravado pelo grupo Samba Tri em 2004), ‘Trajetória’ e a inédita ‘O que É o Amor’, gravada simultaneamente por Rita no novo CD de Arlindo. ‘Cria’, ‘Corpitcho’ e ‘Casa de Noca’ são outras faixas do disco em que Rita canta ‘seu’ samba.