Rio - Aos 25 anos, Bruno Gagliasso tem uma condição financeira invejada por muitos jovens que com essa idade lutam para se destacar no mercado de trabalho. O ator possui uma cobertura na Barra da Tijuca, inaugurou a pizzaria Família Gagliasso, tem um contrato longo com a Globo, até 2010, e sempre que a agenda permite faz presença vip em eventos, com cachês que podem chegar a R$ 15 mil. "O meu crime é ser workaholic. O Miguel Falabella adotou uma expressão que também acho muito apropriada para mim: worklover (‘amante do trabalho’). Acho que está tudo do jeito certo. Deus tem sido maravilhoso comigo", avalia.
Com fome para ganhar dinheiro, o ator não se considera um homem de negócios. "Invisto principalmente em cultura. Cada peça da minha casa tem assinatura. A difi culdade é que tudo o que tem grande valor artístico é caro, pena que seja assim e ao mesmo tempo é muito bom. Pois quem faz arte merece ser bem remunerado", valoriza. Alem de peças de decoração, o ator também gosta de viajar. "É minha segunda prioridade. O momento que eu e minha mulher podemos curtir. Lidando com o que é diferente aprendemos a nos conhecer melhor", filosofa.
Responsável, bom moço, adora a família, casado há um ano com a atriz Camila Rodrigues, com uma boa situação fi nanceira. O perfil de Bruno é a antítese de Ivan, seu personagem em ‘Paraíso Tropical’. Por isso, construi-lo não foi nada fácil. Bruno mudou fi sicamente, malhou, perdeu 6kg, ficou com o abdome sarado e ganhou massa muscular.
"A mudança física foi desgastante e necessária. Jamais gostei de malhar e ao mesmo tempo tinha que ter malhado, fazer esse esforço. Levei três meses para conseguir mudar", calcula. Fisicamente diferente, ele hoje vê um novo homem quando se olha no espelho. "Um homem com menos gordura", brinca.
Não foi somente o corpo que mudou. Para interpretar Ivan, Bruno teve que descobrir seu lado negro. "Todos os meus personagens me fi zeram explorar um lado que é meu, mas que eu não conhecia. Não sou 100% bonzinho nem 100% canalha. Ser bonzinho demais beira a idiotice", acredita.
Para ele o papel veio na hora certa, no momento em que a sociedade discute a truculência dos pitboys e se revolta com casos como o da doméstica Sirlei, que foi espancada por jovens de classe média alta da Barra. "O Gilberto fez uma radiografia boa do que acontece agora com boa parte dessa garotada que pode ter tudo. Ele conseguiu mostrar do começo a transformação do badboy", analisa.
"Pegada faz sucesso em casa"
O corpo malhado e o lado mau dão mais um tempero em cenas de tirar o fôlego ao lado de Alessandra Negrini, como Taís. "Os dois personagens são como fi os desencapados. Como duas pessoas tão pervertidas poderiam ter um comportamento sexual sadio?", questiona, sabendo que também deixa sem ar as espectadoras. Um talento que ele confessa ter também na intimidade da vida de casal. "Minha mulher diz que tenho pegada", assegura.
A pegada é tão forte que houve rumores de uma relação fora da tela entre Bruno e Alessandra. "Uma vez ouvi a Fernanda Montenegro dizer que é muito difícil para o ator ou atriz estar casado com pessoas de outra profi ssão. Essa é mais uma sorte que dei na vida. Estamos dispostos, tanto eu quanto ela, a enfrentar situações desse tipo.
Esse assunto está encerrado. Minha relação com Camila está ainda mais sólida", enfatiza. O casal não pensa em fi lhos por enquanto. "De repente daqui a uns três anos. Por enquanto temos o Zeca, um Golden Retriever lindo", elogia Bruno, que aumentou ainda mais a família dando de presente de aniversário para a mulher um cãozinho Maltês, batizado de Pipoca.
Planos de viver Van Gogh
Férias nem pensar. O próximo empreendimento de Bruno Gagliasso quando terminar ‘Paraíso Tropical’ será o teatro. O ator se prepara para viver o pintor Van Gogh no palco. "Estudo sobre Van Gogh há três anos, mas nem de longe tenho a pretensão de conhecê-lo 100%. No momento, pintura para mim é a pintura dele", afirma.
Na casa, por enquanto, não existe nenhum quadro do pintor pendurado na parede. Van Gogh está presente apenas nos livros de arte. Em sua pesquisa, Bruno quer mostrar o aspecto menos óbvio da vida do artista, principalmente o lado solidário. "Van Gogh às vezes levava isso a um limite muito perigoso e por isso era chamado de louco", analisa.
"Meu corpo só me pede para atuar, nada me descansa mais do que atuar", acredita. Em quatro anos, de 2003 a 2007, Bruno fez quatro novelas (‘Celebridade’, ‘América’, ‘Sinhá Moça’ e ‘Paraíso Tropical’), uma minissérie (‘A Casa das Sete Mulheres’) e um especial de fim de ano (‘Dom’).
Paralelamente, ele aproveita para encher o cofrinho. "Se tenho feito muitos trabalhos de publicidade é porque tenho muitos convites e percebo o carinho e respeito que há por trás desses convites. Sinto muito orgulho dos trabalhos que fiz. A publicidade brasileira é reconhecida como uma das melhores do mundo. Faço questão de aceitar as propostas inteligentes", justifica.