Rio - O Festival do Rio só termina quinta-feira — e pode ser que o espanhol Javier Bardem ainda apareça por aqui —, mas ninguém tira do mexicano Diego Luna o título de muso desta edição da maratona cinematográfica. Revelado em ‘E sua Mãe Também’, em que contracenou com o melhor amigo e sócio Gael García Bernal, o ator de 27 anos está na cidade para promover quatro filmes.
Além de ‘O Búfalo da Noite’ e ‘Mr. Lonely’, nos quais atua, Luna assina a produção executiva de ‘Déficit’ (dirigido por Gael) e debuta na direção com o documentário ‘JC Chávez’. “É uma maravilhosa coincidência. Me faz muito feliz, porque creio que é um festival importante e sobretudo porque o Brasil é um país onde meus filmes são pouco vistos. Espero que a visita sirva um pouco para azeitar a máquina”, torce Luna, que chegou à cidade sábado à noite e foi direto para o Espaço de Cinema apresentar ‘O Búfalo da Noite’ ao lado do diretor Jorge Hernández Aldana.
Começada a sessão, a dupla foi a “um lugarcito” ao lado do cinema tomar cerveja e cachaça e, quando voltou, o público havia saído. “Foi horrível. Tivemos que ir ao Cabaret Kalesa, a um baile funk e à quadra da Mangueira e tomar mais cerveja e cachaça. Só às 6h30 comecei a esquecer a tristeza que me deu não falar com o público”, brinca Diego, acrescentando que foi uma das melhores noites da sua vida.
O ator volta a falar sério sobre sua estréia na direção. ‘JC Chávez’ é um retrato do maior boxeador do México e também um painel das mudanças políticas e econômicas por que o país passou nos anos 80 e 90: “Foi uma época em que abrir o jornal era um exercício de masoquismo. Tivemos o terremoto (em 1985), a desvalorização do peso, vários crimes políticos. Chávez era a única notícia boa, até que em 94 teve sua primeira derrota e sua ligação com (o presidente) Salinas o jogou no meio da crise. Quis mostrá-lo como o espelho do país”.
‘Estou longe de ser sex symbol’, diz ator
“Estou longe de ser sex symbol. Tenho que falar, fazer piadas, jogar malabares, para que as meninas me dêem mole”, garante Diego, ex-namorado da brasileira Alice Braga. Além da carreira de ator, ele toca a produtora Canana com Gael e Pablo Cruz. “Temos um poder no México que não teríamos em outro lugar. Em 2 anos fizemos 5 filmes”, conta.
E adianta novos projetos. “Vou fazer um minidocumentário sobre meio ambiente e estou escrevendo um roteiro. É sobre um menino...”, resume Diego. Ele só reclama da falta de tempo para jogar futebol: “Era muito mentiroso quando criança. É uma sorte ter um trabalho que me deixa fazer isso”.