Rio - Fernanda Montenegro foi direta ao dizer o que achava do ator espanhol Javier Bardem, com quem contracena em ‘O Amor nos Tempos do Cólera’. O filme, dirigido pelo inglês Mike Newell (‘Harry Potter e o Cálice de Fogo’ e ‘Quatro Casamentos e um Funeral’), é uma adaptação corajosa da obra do colombiano Gabriel García Márquez.
“O Javier parece os touros eróticos de Picasso. Ele tem um apelo erótico sobre as mulheres, não sei se sobre os homens.... Mas isso deve ser um carma para ele”, brinca Fernanda.
O filme teve pré-estréia mundial quarta-feira no Festival do Rio, e entra em circuito em 28 de dezembro. Javier é o protagonista Florentino Ariza, que a partir de 1880 passa mais de 50 anos apaixonado por Fermina Daza (a italiana Giovanna Mezzogiono). Fernanda é a mãe de Florentino, que espera seu amor colecionando outras conquistas. Rodado em Cartagena, na Colômbia, com orçamento de U$ 45 milhões, é falado em inglês, uma das dificuldades para o elenco latino. “Nós não morremos mais de fome lá fora por causa do inglês. Mas outra coisa é interpretar em inglês. Perdi o medo”, contou Fernanda na entrevista coletiva ao lado do diretor Mike Newell.
A dificuldade de adaptar uma obra de García Márquez é a narrativa que vai e vem no tempo. Newell optou por história linear, acreditando na força das imagens: chamou o fotógrafo brasileiro Afonso Beatto, que ganhou o cargo assim que Mike descobriu que ele fez ‘Antonio das Mortes’, de Glauber Rocha. O roteiro é do sul-africano Ronald Harwood (Oscar por ‘O Pianista’).
“O Ron tentou ser despedido algumas vezes porque era um script impossível. E eu estava aterrorizado. Mas acreditei nas imagens”, conta Newell. A participação brasileira também está na trilha sonora, assinada por Antonio Pinto, filho do cartunista Ziraldo, que fez três músicas com a colombiana Shakira, a pedido de Newell.
A versão de ‘O Amor’ teve a aprovação de García Márquez, que viu o filme no México e gostou, segundo o produtor Scott Steindorff. “Ele acenou positivamente com a mão, mas disse: ‘Agora que vocês fizeram metade do filme, vamos fazer a outra metade”, ri Steindorff.