Rio - A atriz Rosamaria Murtinho recebe a equipe do caderno D Mulher em sua casa pronta para encarnar Frida Kahlo. A transformação acontece aos poucos. Rosamaria mostra alguns figurinos da peça e escolhe a saia e a blusa vermelhas. Depois coloca aplique com tranças e rosas. Em seguida, é maquiada. Rosamaria Murtinho, aos poucos, vira a pintora mexicana, que completaria 100 anos em 2007. Por fim, ela escolhe pulseiras, colares e exibe anel igual ao de Frida. Ao lado dela, a atriz Zulma Mercadante, que interpreta Frida ainda jovem, veste-se de colegial.
Rosamaria e Zulma mergulharam fundo no universo da pintora para protagonizarem a peça ‘Frida’, que estréia quinta-feira, no teatro Villa-Lobos. Frida Kahlo teve uma vida difícil, mas, mesmo assim, caminhou à frente do seu tempo. “Foi um mulher internacional”, opina Rosamaria. Frida nasceu em Coyoacán e na infância contraiu poliomielite, que a deixou com lesão no pé direito. Aos 18 anos, sofreu acidente e teve que usar colete de gesso e fazer várias cirurgias. Foi neste longo período, que passou sobre uma cama, que Frida começou a pintar, principalmente auto-retratos. Em seguida, se casou com o pintor Diego Rivera com quem viveu intensa história de amor.
Rosamaria decidiu montar espetáculo sobre a artista ano passado. “Já tinha lido algumas cartas do diário dela e me vestido de Frida. O que acho mais incrível é que, apesar de todo o sofrimento, ela sempre gostou da vida”, diz Rosamaria. Zulma concorda: “A força e o encanto dela são fascinantes. Eu, se tivesse passado pelo o que ela viveu, talvez desistisse”. Além de artista, uma revolucionária. Rosamaria faz questão de ressaltar a militância comunista de Frida. “Ela teve caso com Leon Trotski, que ficou hospedado na sua casa, no México”.
No quesito moda, Frida também foi singular. “Ela foi para os Estados Unidos numa época em que todos copiavam o figurino dos filmes americanos, mas não seguia esta tendência e usava roupas típicas mexicanas”, conta Rosamaria. E a atriz está sendo influenciada pela pintora na hora de se vestir? “O que chamou mais a minha atenção foi a luminosidade de suas roupas. Passei a usar as cores de Frida, peças bordadas, muitas pulseiras e colares”, reconhece a atriz.
TELAS VIRAM FIGURINOS
Rosamaria Murtinho, Zulma Mercadante e o ator Caco Ciocler, que dirige a peça, foram ao México e visitaram a Casa Azul, onde nasceu a pintora. Lá eles gravaram vídeo que será exibido durante a peça. “Foi muito emocionante. Quando cheguei, tive um ataque de choro. Queremos homenagear o México através de Frida”, confessa Rosamaria. A incursão no universo de Frida Kahlo se estendeu também ao figurino, assinado por Marcos Lazzaro. Ele aproveitou imagens dos quadros da pintora e as reproduziu nas roupas usadas por Rosamaria Murtinho. “São confeccionadas em tecidos tecnológicos pintadas a mão, com visual rústico, e retratam algumas telas da pintora. Frida está saltando das telas”, explica Marcos. Os acessórios também foram baseados na obra dela e produzidos em madeira e material fosco. “Rosamaria também comprou bijus artesanais na Feira de Coyoacán”, diz Marcos. Para ele, a eternidade do estilo Frida é incontestável: “Ela inspirou estilistas de todo o mundo, misturava vários elementos de maneira despretensiosa. Frida está sendo um verdadeiro presente”, resume.