Rio - Aguinaldo Silva sonha com Flávia Alessandra nua, só com purpurina, dançando ‘pole dance’ — a dança no poste das boates de strip tease, que fez a fama de Bebel (Camila Pitanga) no início de ‘Paraíso Tropical’. “É meu sonho de consumo. Mas a cena tem que ser com iluminação especial, muita fumaça de gelo seco”, admite o autor de ‘Duas Caras’.
Para realizar o sonho, Flávia tem quatro horas de aula por dia com a professora Alexandra Valença, que veio de São Paulo ensinar à atriz. “Ela é uma aluna dedicada, tem boa base”, avalia Alexandra, que aprendeu a dançar com uma professora tcheca.
A base está nas pegadas dos braços, coxas e, principalmente, na força do abdômen. Um exercício exaustivo que faz Flávia sair do poste suada e cheia de hematomas. O sacrifício é para fazer da personagem Alzira a mais sensual possível. Na história, ela dirá a todos que trabalha como enfermeira, mas será uma stripper. “Ela não será garota de programa. Vai dançar para sustentar a casa porque o marido está desempregado há 15 anos. O telespectador vai saber logo que ela é stripper, mas os personagens da novela só sabem mais tarde e isso vai gerar polêmica”, diz Aguinaldo.
“Todo mundo acha que ‘pole dance’ é dança de prostituta, já sofri preconceito por causa disso”, admite Alexandra. A professora afirma que nos Estados Unidos, Japão e Canadá é comum as mulheres praticarem para agradar seus maridos. No Brasil, Alexandra tem 40 alunas além do elenco global, e cada aula sai por R$ 100. “Muitas delas me falam que o desempenho na cama melhora depois da dança. Eu falo mesmo: tem que se sentir gostosa. Isso melhora a auto-estima”, ensina a professora.
Alexandra, que treina a dança há sete anos, terá apenas 20 dias para ensinar a Flávia e ao resto das figurantes da novela os principais movimentos. “Ela vai arrasar, já fica até de cabeça para baixo”, conta. Mas realizar o sonho de Aguinaldo é um pouco mais difícil.
“Não sei como vai ser fazer a dança com purpurina. No poste não pode ter nada que escorregue”, afirma a professora.
Para dançar, o melhor mesmo são roupas bem curtas, com bastante corpo à mostra, e um bom salto. “No começo algumas partes ficam machucadas, mas depois você acostuma.
No Projac, o comentário era de como as meninas estavam roxas. Todo mundo queria me conhecer por causa disso”, diverte-se Alexandra.