Clarice Muniz
Rio - Depois de cinco anos longe da TV, Vivianne Pasmanter está de volta e ganha destaque como a fotógrafa de casamentos Isabel em ‘Páginas da Vida’. Liberal, de bem com a vida e muito sensual, sua personagem atrai a atenção do público a cada aparição e desbanca as outras mulheres mal-resolvidas do folhetim. “Ela não é bobinha, mas também não fica tirando vantagens em cima das coisas. Tem inseguranças como todo mundo, ao mesmo tempo é corajosa, enfrenta as situações apesar de estar completamente envolvida nelas”, define Vivianne. Nos primeiros capítulos, todo mundo comentou sobre a ousadia do autor em escrever uma cena em que Isabel fotografava os recém-casados Olívia (Ana Paula Arósio) e Sílvio (Edson Celulari) seminus na noite de núpcias. Sem pudores. “O que faz a diferença nela é a amoralidade, sem ser imoral”, destaca.
Além dos traços marcantes da personalidade de Isabel, o público também já aprovou as cenas em que Vivianne e Caco Ciocler, que interpreta o fotógrafo Renato, contracenam. Na trama, eles sentem forte atração um pelo outro mas não dão o braço a torcer. Renato foi para a Inglaterra com a mulher e o filho, mas em poucos capítulos estará de volta ao Brasil. Para alegria de Isabel e do público. “As pessoas torcem pelos dois porque aconteceu uma química forte. Tem gente que diz que quando eles aparecem juntos sente uma tensão, isso é muito legal”, comenta a atriz, que há pouco tempo lembrou que esse é, na verdade, um reencontro com o ator. “Descobrimos que estudamos juntos aos 8 anos, num curso de teatro em São Paulo. Foi o primeiro que fizemos nas nossas vidas”, ri Vivianne.
O assunto vai fluindo e a atriz fica um pouco indecisa sobre as questões que abordam a traição, tema fortemente representado no início da novela no núcleo de Helena (Regina Duarte), que flagrou o marido com a amante, Carmem (Natália do Vale). “Existe todo tipo de mulher, não gosto de generalizar. Mas sem dúvida hoje está tudo muito mais liberal”, analisa, referindo-se às personagens da trama que ficam na cola dos maridos. “Não sei se a mulher de hoje aceita mais ou menos traição. Eu, por exemplo, considero mais importante a lealdade do que a fidelidade. Eu perdoaria mais uma infidelidade do que deslealdade”, diz.
Entre os homens, Vivianne está sendo alvo de vários elogios. Não apenas pelo papel, mas pelo charme com que aparece em cena. A atriz sai pela tangente e dá os méritos para Isabel. “Eu procuro ser e sentir, ao invés de fazer. A sensualidade só aparece quando vem com naturalidade. Talvez a independência, a coragem e a sinceridade dela despertem a atenção do público masculino”, acredita a agora louríssima atriz, que clareou os cabelos para a passagem de cinco anos.
Vivianne é uma das intérpretes preferidas de Manoel Carlos. Foi ele quem a descobriu em 1991, quando estreou em ‘Felicidade’, como a vilã Débora. “Acabei ficando muito amiga da família. Eu era novinha, não tinha nem 20 anos e aí minha mãe veio para o Rio comigo. Era um mundo longe da nossa realidade, tinha aquele mito de sexo, drogas e rock’n’ roll. Fomos a uma reunião na casa dele e minha mãe ficou tranqüila quando viu que tinha uma família por trás”, lembra a atriz paulistana. “Quando eu ficava doente, quem me levava ao médico era a mulher dele. Viraram a minha família carioca”, diz ela, que também estrelou ‘Por Amor’, em 1997. Vivianne só ficou de fora de novelas como ‘História de Amor’ e ‘Mulheres Apaixonadas’, por estar em outras produções.
Vivianne fotografa casamentos na ficção e na vida real já viveu seu momento de conto de fadas. Casada com o empresário Gilberto Zaborowski, a atriz se afastou da TV desde 2001 para curtir a família. “Eu me entreguei completamente. Só de pensar em voltar me dava desespero. Mas estou curtindo”, diz. “Falei que ia fazer só para não dizer que não tentei. Foi meio que ‘tomara que não dê certo’ para fugir de novo”, ri.
Nesse período, quando estava grávida de sete meses do primeiro filho, Eduardo, hoje com 3 anos, descobriu que o marido estava com câncer e viveu momentos difíceis. “Tive que lidar com a vida e a morte ao mesmo tempo. Mas segurei na mão dele e disse: “Vamos em frente”. Graças a Deus deu tudo certo”, diz. “O tratamento é muito difícil, mas no caso dele tinha cura. Perdi meu pai vítima de câncer, infelizmente o dele não tinha cura, foi muito complicado.”
Fotografar é uma mania antiga. Porém, mesmo depois de fazer laboratório com a fotógrafa Isabel Becker, a atriz ainda prefere usar a máquina profissional só em cena. “Ando com a minha maquininha digital na bolsa, é mais prático. Quando a gente tem filho, tudo é lindo. Vivo fazendo fotos do Eduardo e da Lara (1 ano)”.