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24/11/2006 11:43:00

Brasileira Nina Miranda mistura brasilidade com eletrônica no vocal da banda Shrift

Ricardo Calazans


Londres está prestes a “levar uma de volta”, diz Nina Miranda, brasileira radicada na Inglaterra, voz do grupo Smoke City, atualmente “emprestada” para o Shrift. Inclassificável projeto dela e do britânico Dennis Wheatley, ‘Lost In a Moment’, o CD de estréia da dupla acaba de sair no Brasil (gravadora Six Degrees, distribuída pela Ginga P.), depois de provocar fortes emoções em ouvintes do Reino Unido e Estados Unidos, onde também foi lançado.

E antes que Londres sucumba diante de tanta paranóia — recentemente, foram dados mais de 30 alertas de ameaças terroristas — o Shrift entrou em ação, ainda que seu discurso não seja político. “As pessoas ficam meio emotivas quando ouvem. É um disco carinhoso, um sorriso”, diz Nina, no português embolado de quem já vive há 30 anos no exterior. “A Inglaterra está paranóica, porque sabe que está agindo mal. Este era um país multicultural, mas agora está indo tudo por água abaixo”, lamenta.

Sem falar de bombas ou guerras, o Shrift se coloca contra as divisões do mundo. “Quisemos combinar as excentricidades do Brasil e da Inglaterra, o melhor de cada país numa música”, explica Nina. “As 11 faixas do disco passeiam por referências nem sempre musicais, mas todas positivas. “Músicas de Morriconi, filmes de Fellini, crianças, sobremesas, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, amor...”: Nina e Dennis enfileiram suas influências na página da dupla no My Space.

Nos Estados Unidos, ‘shrift shops’ são brechós. “E nós somos um brechó de sons”, diz. No disco, as músicas combinam violinos e repiniques, reco-reco e guitarras, fitas tocadas ao contrário, cellos e risos infantis. Elas seguem placidamente, e a pequena voz de Nina funde português e inglês com fluência. “E hoje caminhando levo meu samba”, canta, em ‘Snow Samba’.

Nina mantém contato intenso com a música brasileira, e não perde um show de artistas do País em Londres. “Seu Jorge ensolarou esta cidade, e eu sempre fico impressionada com o Nação Zumbi. Acho que eles têm a mesma força de Jimi Hendrix”, compara. Ela sonha iniciar uma turnê do Shrift pelo Brasil. “É o lugar mais lindo do mundo. Na minha fantasia estou sempre aí”.

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