Olívia Dutra
São Paulo - Como Sergio Dias revelou no DVD dos Mutantes: “Hoje é o primeiro dia do resto de minha vida”. Sergio (voz, guitarra e produtor do projeto), Arnaldo Baptista (voz, piano), Dinho Leme (bateria)e Zélia Duncan (voz) lançaram nesta terça-feira, em coletiva em São Paulo, o CD e o DVD da volta de umas das bandas mais importantes dos anos 60/70 do Brasil.
Em meio à boataria do ‘volta, não volta’, eles estrearam em grande estilo no Barbican Theatre, em Londres, em maio deste ano, no show agora lançado. “Não planejamos essa volta. O Barbican nos convidou para tocarmos e fomos. Não teve jogada de marketing, foi combustão espontânea”, garante Sergio.
O quarteto está afinadíssimo e não se importa com as críticas. Que o diga Zélia, que no começo enfrentou toda a sorte de comparações com Rita Lee, mutante idealizadora da banda ao lado dos irmãos Dias Baptista.
“Não pensei muito se aceitaria ou não essa missão. No começo batia uma insegurança de ser comparada com Rita Lee, mas ela sempre estará presente. Não quero tomar o lugar dela, nem imitá-la. Eu sou eu. Agora o desafio é da banda toda, de fazer as pessoas escutarem o CD. O meu desafio já passou”, desabafa.
“Sempre criticaram os Mutantes, há mais de 30 anos fazem isso, porque deixariam de fazer agora?”, brinca Arnaldo. Sergio não ri e quando perguntam se Rita poderia fazer uma participação em algum show, ele responde, seco: “Não!”. E Arnaldo, mais uma vez, pede a palavra: “Na verdade eu vou repetir uma história que as pessoas se esquecem: eu expulsei a Rita da banda. Sempre a achei meio banana. A Zélia é mais adubada”, ri.
Se é para falar do futuro da banda, eles ficam sérios e respodem orgulhosos: "Sim, vamos continuar com os Mutantes e já temos até algumas coisas no forno para um próximo CD”, diz Sergio. Mas antes disso muita água ainda vai rolar: a turnê pelo Brasil começa ano que vem, com shows dias 25 de janeiro em São Paulo e 3 de fevereiro no Vivo Rio.
“Esse show no Barbican foi bom porque logo depois fizemos uma turnê americana, o que nos deixou afinados para a maratona aqui”, analisa Sérgio. O show deve seguir à risca o CD e o DVD, que já contam com os principais sucessos dos Mutantes. “Não pudemos incluir mais músicas. Já são 21. Nosso geriatra disse que na nossa idade esse é o limite”, brinca Sérgio. Por falar em geriatra, Sérgio desconversa quando perguntado sobre o que achou quando Rita Lee falou que era melhor eles irem para uma clínica geriátrica.
“Conhecendo a Rita eu tenho certeza de que isso é folclore. Ela foi super generosa comigo e com a Zélia quando avisamos que a banda voltaria.” Então tá.
Versões são bem fiéis às originais
Gravado no dia 22 de maio, o CD e DVD gravado no Barbican Theatre em Londes tem 21 músicas, as principais da carreira dos Mutantes. “Escolhemos as mais difíceis de serem tocadas. E outras simplesmente não poderíamos não incluir, como ‘Ando meio desligado’ e ‘Panis et Circensis’”, conta Sérgio. Apesar de metade do repertório estar em inglês, hits como ‘Top Top’ e ‘Batmacumba’ (a última com participação de Devendra Banhart, estão iguaizinhas às versões originais.
A produção conta ainda com um luxuoso time de músicos que ajudam a dar uma cara nova ao novo projeto. Para Dinho, que não pegava numa baqueta desde que a banda acabou, foi uma ajuda e tanto. “Ficou bem mais fácil. Estava enferrujado”, confessa o baterista.