Ricardo Calazans
RIO - Numa corrida entre Robson Caetano e Tônia Carrero, quem venceria? Ney Latorraca e Hortência poderiam entrar numa disputa de igual para igual? Parte da classe artística não quer entrar nessa briga e se posicionou, de antemão, contra a lei de incentivo fiscal ao Esporte, já aprovada na Câmara e prestes a ser votada no Senado. Seu temor: iniciar uma competição por patrocínio com setores esportivos, na qual, tem certeza, levaria uma surra.
No Rio, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, reuniu-se com o Ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., e artistas como Fernanda Montenegro e Marília Pêra, que pressionam pelo adiamento da votação da lei no Senado. Saíram de lá sem acordo. No centro da polêmica, os valores de captação de patrocínio: até 4% do imposto de renda de pessoas jurídicas poderão ser descontados de empresas que apóiem projetos esportivos. É o mesmo percentual da Lei Rouanet, para cultura. Artistas temem sair perdendo diante do mesmo valor, e querem que as empresas tenham 4% distintos para destinar à nova lei.
Os atletas, que ontem se reuniram nas escadarias do Palácio Tiradentes pela aprovação da Lei, pregam o espírito esportivo. “O esporte é indissociável da cultura. Nossa postura não é de competição, mas sim de pleitear uma isonomia, o mesmo tratamento”, diz o velejador Lars Grael. O relator do projeto na Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), afirma que há verba para todos. “Há muito espaço para captação, ninguém vai mexer com o dinheiro da cultura. Só vai depender da capacidade de captação .”