Rio - Há 10 anos sem praticamente entrar em estúdio, Ras Bernardo, vocalista seminal do Cidade Negra, finalmente lança ‘Jah é Luz’, seu segundo disco solo, pelo selo Muzamba Música. O disco começou a ser feito em 1997. “Algumas músicas, como ‘Jah é Luz’ e ‘No Morro Não tem Play’ eu já vinha cantando nos shows e não estava mais agüentando ouvir”, diverte-se Ras. “Mas com a mixagem do MPC (Digitaldubs) ficou tão maravilhoso que eu estou amarradão de novo”, diz.
O dedo do Digitaldubs, coletivo de DJs e produtores, está também na produção do CD, que Nelson Meirelles (produtor dos dois primeiros discos do Cidade Negra) divide com Ricardo Barreto. Nelson também toca em duas faixas (ele foi baixista do Rappa).
“Vim absorvendo coisas novas desde 2005, quando me envolvi com o pessoal do Digitaldubs”, explica Ras. “Tem uma galera que ainda está no reggae Bob Marley. Eu adoro, mas a gente tem que evoluir. Qual o problema? O importante é o não-descartável”, manda.
Ele lamenta que suas letras continuem tratando dos mesmos temas. “Infelizmente, tenho que falar dessas coisas que vejo e vivo: miséria, violência, desigualdade social e preconceito, que nunca mudaram”, afirma. “Mas também falo de amor, o cara que toca reggae também ama”, brinca.
No disco, tocam baixo Nelson e Noemi (que acompanha Ras desde que ele saiu do Cidade). Na bateria, Ronaldo Silva, filho de Robertinho Silva. O co-produtor do disco, Ricardo Barreto, é o guitarrista. Nos teclados, Jean Pierre Magaye (Cidade Negra, Marisa Monte) e Alex Meirelles (Cidade Negra). Marlon Sette (Reggae B) e Bidu Cordeiro (Paralamas do Sucesso) tocam os trombones. Joás (Digitaldubs) faz a percussão. A banda QG Imperial acompanha Bernardo nos shows (ele se apresenta dia 6 de abril no Rio).