Rio - Eles são o maior grupo de rap do Brasil: estouraram em 1998 com o disco ‘Sobrevivendo no Inferno’, independente. Nove anos depois, sai o primeiro DVD do Racionais MCs, ‘1000 Trutas 1000 Tretas’, igualmente independente, que tem show no Circo Voador nesta sexta.
O DVD reúne imagens de um show no Sesc Itaquera em 2004, com participação de Jorge Ben Jor e trechos de outros shows, inclusive um no Japão. Nos extras, imagens dos integrantes em momentos de descontração e um documentário sobre a história da música negra em São Paulo. “Conta a história dos bailes, como começou, dos anos 70 para cá, dos pontos de encontro da galera”, explica KL Jay. “É um resgate cultural negro, da história da música em São Paulo”, diz ele.
Ex-VJ da MTV (ele apresentou o ‘Yo! MTV Raps), o DJ e produtor diz que sua experiência na emissora acabou ajudando no DVD. “Foi bom em vários aspectos. Me deixou mais desinibido, eu era gago. Você vê a câmera e acaba desencanando dele”, conta. “O show foi uma atuação normal do Racionais”, jura ele.
Foi pela MTV, aliás, que a banda ganhou o País, com o clipe de ‘Diário de um Detento’, passando a ser admirados até pelos ricos. “A galera com grana ouve porque as músicas falam da vida. Quando você começa a falar da vida, atinge preto, branco, japonês”, acredita ele.
Apesar de ter ganho toda essa projeção, o Racionais nunca assinou com nenhuma gravadora: lançou todos os trabalhos pelo próprio selo, Cosa Nostra. “A gente sempre pensou: ‘Vamos fazer esse som, ninguém vai interferir’. Certas coisas a gente não faz. Não vamos na rede Globo nunca”, afirma. A banda também raramente dá entrevistas. “Muita coisa que a gente falou foi deturpada. A imprensa foi desleal, nos associou à criminalidade, à bandidagem”, justica KL Jay.
Ele também reclama do espaço para o hip hop. “Tem muita gente boa. A gente precisa de um programa autêntico como era o Yo!. A Alemanha só tem branco de olho azul e lá só passa rap”, analisa. Como explicar o sucesso do Racionais MCs, então? “Racionais é outra coisa. São quatro caras talentosos que souberam administrar o talento e acreditaram no boca-a-boca”, diz.