Rio - Vá ao teatro e esqueça a dieta. Não há slogan mais apropriado para os espetáculos ‘Mangiare’, que estréia hoje para convidados e amanhã para o público no Teatro Maria Clara Machado (Planetário), e ‘Combinado’, a partir de domingo no Teatro do Jockey. As duas peças oferecem degustação dos pratos (de verdade) expostos em cena. “Comida e teatro têm poder de comunhão, proporcionam aconchego, proximidade entre as pessoas”, diz Georgiana Góes, que divide o palco e o fogão em ‘Mangiare’ com Ana Paula Secco e Marina Bezze.
Dirigidas por Fabianna de Mello e Sousa, elas preparam uma salada e um nhoque de inhame durante a peça — também será servida uma sobremesa. “Não sou exímia cozinheira, mas dou uma enganada. As outras atrizes dão conta do recado. A receita do nhoque é de uma delas”, conta Georgiana, que servirá 58 pessoas.
As atrizes circulam entre o público, recebido em três grandes mesas com 18 lugares. “O cenário é como se fosse uma cantina. Queremos despertar os sentidos da platéia: a visão, o cheiro e o sabor. Quando botamos a comida no fogo o cheiro toma a sala inteira”, conta a atriz.
Parte da comemoração de 10 anos da Cia. Os Dezequilibrados — que inclui a montagem de três espetáculos do repertório do grupo —, a peça ‘Combinado’, já montada em 2003, também divide a platéia em grandes mesas: são quatro de 15 lugares. “Nossos espetáculos procuram ter uma relação mais próxima com o espectador. A comida neste caso ajuda a botar todo mundo junto numa mesma situação”, conta o diretor Ivan Sugahara.
O ponto de partida da peça é o assassinato da viúva de um milionário japonês, encontrada morta em sua casa. “O público banca o detetive, tenta descobrir o criminoso, e senta à mesa com os atores que interpretam os suspeitos”, diz Ivan.
Dividida em menus, como se fosse um cardápio, ‘Mangiare’ terá alguns truques cênicos. “A comida já virá cortada. Botamos a mão na massa, mas não dá para cozinhar para 58 pessoas”, explica Georgiana, deixando claro que a comida servida será só uma degustação. “É mais para dar um gostinho, não para encher a pança.”