Rio - Ivan Lins agora é um só. Apesar de não sofrer de dupla personalidade, o cantor, compositor e pianista confessa que até pouco tempo ficava dividido nos palcos. No exterior, deixava os improvisos e andamentos jazzísticos tomarem conta das apresentações; em solo pátrio, continha-se e fazia versões mais “literais” de sucessos como ‘Vitoriosa’ e ‘Bilhete’. Com o lançamento, em DVD e CD, de ‘Saudades de Casa’ (Indie Records), o artista eliminou as diferenças entre o Ivan ‘caseiro’ e o ‘viajante’.
“Meu lema agora é música total e prazer geral. Estou inteiramente livre”, afirma o compositor, de 62 anos. O novo trabalho é o registro de um ensaio gravado ao vivo no estúdio Mega, no Humaitá, antes da excursão que fez com sua banda ao Japão, em setembro. “É uma maneira diferente de mostrar ao público como os arranjos das músicas são concebidos”, diz. No repertório estão canções menos conhecidas da carreira de Ivan, que este ano chegou às quatro décadas. “Isso também virou tônica: vou vasculhar e reler minha própria obra.”
Solos, improvisos e canções desconhecidas, tudo num projeto só? Ivan Lins reconhece que a combinação gera alto grau de risco, mas não quer saber de cálculos, e sim de mudança. “Você fica viciado, depois de anos com o mesmo comportamento: as inéditas, as mais conhecidas, tratamento de arranjo mais engessado, os músicos como meros acompanhantes...”, enumera.
Temporada
Hoje, um de seus maiores prazeres é estar numa banda. “Recuperei esse clima do início de carreira, quando tocava como acompanhante em trios e quartetos. Toco, solo, canto melodias sem letra. Em Sorocaba fizemos uma versão de seis minutos e meio de ‘Vitoriosa’”, conta. “Não nego que fiquei temeroso. Mas o povo adorou. No Rival, em novembro, a reação foi parecida. Agora está tudo maravilhoso.”
Ivan Lins fará breve temporada de ‘Saudades de Casa’ no novo Mistura Fina, no Arpoador, dias 11, 12, 18 e 19. Com ele, estarão os artistas que participaram da gravação do DVD: Marco Brito (teclados e piano), Teo Lima (bateria), Nema Antunes (baixo), Marcelo Martins (sopros), Armando Marçal e Pirulito (percussão) e Leonardo Amuedo (guitarra).
A entrada de Amuedo em seu grupo, há cinco anos, foi responsável direta pela mudança de rota de Ivan Lins. “Adorava ouvi-lo solar e fui liberando os outros músicos também para os improvisos. Aí liberou geral”, brinca.