Rio - “DVD é assim mesmo, gente, desculpa... Vocês vão ter que ter paciência...”, alertou José Augusto enquanto o palco nesta quarta-feira à noite, em show para convidados realizado na sede carioca da gravadora Universal Music.
Em abril, quando o DVD for lançado, ninguém vai ver as tensões e truques típicos de gravações ao vivo. Nem saber que o diretor artístico Miguel Plopschi solicitou à platéia gritos e aplausos fortes antes do início do show.
A rigor, nem era preciso forjar entusiasmo. A platéia feminina recrutada por uma rádio popular bateu palmas e fez coro espontâneo com o artista em sucessos como ‘Agüenta Coração’ e ‘Chuvas de Verão’. Mas teve que aturar as várias repetições, comuns em gravações ao vivo.
“É bom vocês decidirem”, sentenciou Plopschi, ligeiramente irritado, ao se dirigir à equipe técnica para saber se era preciso repetir apenas a entrada do cantor em cena, todo o primeiro número (‘Tudo Deu em Nada’, versão de ‘Menta y Limon’) ou o ‘medley’ que uniu ‘Fantasias’ e ‘Sábado’. Acabou tendo que refazer tudo.
Augusto priorizou os hits que lhe deram fama a partir de 1986, quando reconquistou o mercado popular no qual reinara no início dos anos 70 e que perdera ao se dedicar à praça latina dos países de língua espanhola.
A gravação ao vivo representa nova tentativa de Augusto de retomar seu reino. Para tal, ele enfileirou canções pautadas por romantismo popular e convocou convidados como The Originals (em ‘Amar Você’ e ‘Ciúme de Você’, hit de Roberto Carlos na Jovem Guarda), Chitãozinho & Xororó (‘Evidências’, hit de sua autoria que a dupla lançou em 1990) e Alcione, com quem reviveu a baladona ‘O Que Eu Faço Amanhã?...’ (gravada pela cantora em 1986) e prestou homenagem sem nexo a Tim Maia com ‘Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)’.
O público vai ouvir também os harmoniosos vocais do Roupa Nova em ‘Eu e Você’. Mas não vai ver que o elogio feito ao grupo era um texto decorado exibido no ‘teleprompter’ posicionado atrás da platéia. Gravação de DVD é assim mesmo...