Rio - Cláudio Torres não fez mais do que um daqueles descartáveis especiais dramatúrgicos de TV — tipo SBT — ao adaptar para o cinema a peça ‘Largando o Escritório’, de Domingos Oliveira. A crítica à classe média, seus tédios e amores mal-resolvidos ganhou estética, ritmo e atores marcadamente de televisão, sem aprofundamento nos tipos em ‘A Mulher do Meu Amigo’.
Desperdício de Marcos Palmeira, que faz um caricato advogado que se cansa de trabalhar no escritório do sogro e resolve passar mais tempo com a mulher (Mariana Ximenes). Só que ela não gosta nada da companhia do marido e prefere os jogos eróticos com o melhor amigo dele, também casado, feito por Otávio Müller. Para justificar esse ‘frisson’ entre os dois, Mariana vira ‘dominatrix’ com chicotinho na mão, ‘cowgirl’, coelhinha sedenta...
E Otávio Müller: quase sempre de cu-e-ca. Filho de Fernanda Montenegro que estreou na direção com um filme pessoal como ‘Redentor’, é uma pena que Cláudio tenha sido levado para essa comédia nada autoral.