Rio - “Tudo cai, tudo esfria / Todo mundo vai embora um dia”, sentencia Leo Jaime no refrão de ‘Mesmo Assim’, balada do CD que lança em maio. Popular nos anos 80, o cantor teve sua carreira esfriada ao longo da década de 90, ao entrar na geladeria da gravadora Warner Music, mas volta com o disco intitulado ‘Interlúdio’.
Primeiro CD de Leo Jaime em 13 anos (o último, ‘Todo Amor’, é de 1995), ‘Interlúdio’ é álbum de repertório inédito. O compositor goiano não mostrava novidades desde 1990, quando lançou ‘Sexo, Drops & Rock’n’Roll’.
A julgar pelas faixas já disponibilizadas pelo artista em sua página no MySpace, ‘Interlúdio’ retrata Leo Jaime em fase de maturidade com doses mais ou menos altas de nostalgia e melancolia. Parceria de Leoni com Leo, ‘Fotografia’ — única música não inédita do CD — monta o painel saudoso de tempos mais solares.
‘Interlúdio’ flagra Jaime em clima invernal. “O amor não me visita mais”, queixa-se o artista na boa faixa-título do disco, em que faz reflexões existenciais sobre perdas e danos num tom intimista e esfumaçado.
Como mostram músicas como ‘Pode Ser’, o álbum é pautado por repertório baladeiro de tonalidades suaves. Contudo, uma sutil pegada roqueira pode ser detectada em alguns compassos de ‘Se Ela Soubesse o que Quer’, outra inédita de uma safra que inclui ainda ‘Tudo’, ‘Nos Arredores do Amor’ e ‘Pelo Rio’.
Prestes a fazer 49 anos (na próxima quarta-feira, 23 de abril), Leo Jaime lança seu oitavo álbum solo com adesões dos amigos Leoni, Leandro Verdeal (do João Penca e seus Miquinhos Amestrados, o grupo que abrigou Jaime no início dos anos 80) e Alvin L. ‘Interlúdio’ parece ter algum parentesco com o também melancólico ‘Avenida das Desilusões’ (1989). A rigor, Jaime já experimenta sons mais sérios e ‘maduros’ desde 1986, quando lançou um álbum, ‘Vida Difícil’, que não foi bem assimilado na época pelo mercado por já esboçar uma maturidade que parece ter ganhado retrato mais nítido em ‘Interlúdio’.