Livro conta a aventura de mulher que atravessou o Atlântico num barco a vela
Rio - Formada em Informática, a brasileira Izabel Pimentel levava uma vida tranqüila em Portugal, com um emprego estável e um namorado. Até que, aos 40 anos, resolveu se aventurar em uma missão: atravessar o Oceano Atlântico sozinha, de barco. E é essa história que ela e a jornalista Mariucha Moneró contam em ‘A Travessia de uma Mulher’ (Editora Objetiva, 192 págs., R$ 32,90), lançado ontem na Feira Internacional de Paraty. “Comecei a velejar entre 19 e 20 anos. Na crise dos 40, descobri que o tempo passa. Pensei: é agora ou nunca”, diverte-se Izabel.
Ela escreveu um projeto e voltou para o Brasil. “Em 15 dias, consegui patrocinador”, conta. Em seguida, participou de um ‘boat show’ (salão náutico) no Rio de Janeiro, em maio de 2006. “Três dias depois, viajei para Portugal. De lá, para a França, onde comprei meu barco de 21 pés (6,5 metros) e equipei todo”, descreve.
Foram 42 dias em alto-mar a bordo do Arnaud 1, em que era impossível ficar de pé. “No meio do Atlântico, quebrou o leme, fiquei sem direção no barco. Não consegui consertar, porque todos os parafusos estouraram, e são todos soldados. Joguei um cabo na água e fui levando só no ‘pano’ (vela), foi muito difícil”, explica.
A travessia, que levaria 25 dias, foi feita em 42. “O barco vinha meio bêbado, mas consegui chegar a Fortaleza (CE). A idéia inicial era parar em Fernando de Noronha (PE) e passar em Cabrália (BA)”, explica Izabel.
Durante a viagem, os créditos de telefone (via satélite) dela acabaram. “Eu estava sem leme, então bastou para ser uma ‘fofoca’”, brinca Izabel. Preocupado, o pai da velejadora contactou a marinha brasileira. “Passou um avião da Força Aérea por cima do barco e eu estava tomando banho, com xampu na cabeça”, lembra.
Ela conta que a vida no mar é muito solitária — “Até para ter namorado é complicado” — e que ser mulher é mais um desafio. “Quantas fazem o que eu faço?”, pergunta. “Você sente uma certa pressão, mas põe o salto e vai lá”, brinca ela, que planeja ir mais longe e dar a volta ao mundo velejando.
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