Julio Biar
Rio - Quando criança, Maitê Proença nunca foi elogiada por sua beleza. Os pais, intelectuais, não falavam sobre frivolidades em casa. “Só percebi que esse negócio de ser bonita era importante quando cheguei no Rio e virei atriz”, conta a paulista.
A atriz, que também virou apresentadora e escritora, lança segunda-feira, na Livraria Argumento, do Leblon, seu segundo livro: “Uma Vida Inventada — Memórias Trocadas e Outras Histórias”, romance com tintas autobiográficas em que duas personagens narram histórias separadas que se tocam e se confundem. “Quero esse jogo de pistas falsas. Se fizesse biografia clássica, não falaria sobre determinados assuntos, por pudor, por discrição”, diz.
Com franqueza desconcertante, Maitê conta no livro aventuras pelo mundo — ela conhece mais de 60 países. Também dramas como o do pai, que matou a mãe dela num crime passional: “Eu tinha 12 anos quando minha mãe morreu e o mundo se desfez. Meu pai, que a matou no auge de um ódio pelo amor que sentia, foi cuidar de si”, escreve. E a descoberta do sexo: “Deixei de ser virgem aos 16 anos (...). Quer dizer que esperei esse tempo todo por isso, esse fiasco? Não quero mais”, para depois concluir: “não considero sexo fundamental. Sexo é apenas delicioso”.
Outras viagens também são contadas: “No período das drogas, experimentei todas as que me passaram pela frente: ácido não (...), mas cogumelos, muitos”. Tudo com humor, “a única maneira de evitar qualquer pingo de autopiedade”. Direta, ela diz não gostar de entrevistas: “Está tudo no livro, não gosto de ter que repetir”.
Maitê não teme reação adversa do público: “Quando você opta por qualquer manifestação artística, não pode ter medo de se expor”.
Mas quando o assunto é a ditadura da beleza, a atriz reage: “As exigências são tantas que as pessoas gastam horas do seu dia com isso. São capazes de tomar veneno de rato se disserem que acaba com estrias”, afirma. A vaidade surgiu tarde: “Furei a orelha na Farmácia Piauí, depois de casada”, revela.
Na mesma época, conheceu a depilação: “Detestei. Achava uma perda de tempo”, diz, surpreendendo aqueles que a idealizam: “A imagem que o público faz de um artista é um colcha de retalhos, às vezes você interpreta um personagem marcante, às vezes sai uma entrevista e o leitor não sabe se o texto foi editado, se o jornal foi sensacionalista. O sujeito acaba construindo uma pessoa, mas essa pessoa não sou eu”, avisa.
ARROGANTE DE ‘O DIABO VESTE PRADA’ NA TV
Depois de escrever e encenar sua primeira peça, ‘Achadas e Perdidas’, Maitê — que acumula a função de apresentadora do programa ‘Saia Justa’ (às quarta-feiras, 22h30, no GNT) — voltará às novelas este ano na próxima trama das 19h: “Estarei em ‘As Três Irmãs’, do (Antônio) Calmon. Quem me contou foi o Dennis Carvalho (diretor), e eu confio muito nele”, diz.
Seu personagem será inspirado na atriz Meryl Streep, no filme ‘O Diabo Veste Prada’. “Só que com mais humor”, garante ela, que nega ser ‘workaholic’: “Posso ficar sem fazer nada durante três meses, tranqüila e feliz da vida. Acho maravilhoso”. E revela que escreveu nova peça, que em breve pretende produzir e encenar.