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19/7/2008 17:50:00

Morre a atriz Dercy Gonçalves

Foto: Banco de Imagens

Rio - Morreu às 16h45 deste sábado a atriz e comediante Dercy Gonçalves. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio, desde esta madrugada. A atriz, de 101 anos, apresentava pneumonia grave, que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória. 

O corpo de Dercy Gonçalves será enterrado em sua cidade natal, Santa Maria Madalena, onde a comediante mandou construir um túmulo de cristal. Situado na entrada do Cemitério Municipal, o ‘Mausoléu Dercy Gonçalves’ foi projetado por Roberto Candineli e construído em 1991.

Em forma de pirâmide, com três metros de altura, todo em cristal e mármore, ocupa uma área de 120 m² de construção. Seu interior guarda os restos mortais de uma tia da atriz.

Foto Jussara Peruzzi

“Hoje, a cidade me aplaude. Até museu fizeram para preservar a minha história”, disse, certa vez a humorista, sobre o Museu construido em Santa Maria Madalena, em sua homenagem.

Com a notícia da morte de Dercy, os moradores interromperam as homenagens à santa padroeira, que acontecia na cidade.

Biografia

Dercy Gonçalves nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro. Sua mãe, chamada Margarida, abandonou o lar, quando descobriu a infidelidade do esposo. A família era muito pobre, e Dercy trabalhava desde muito nova. Foi bilheteira de cinema, além de apresentar-se para hóspedes de hotel em sua cidade.

Dercy estreou em 1929, em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro. Fazendo teatro itinerante, fez dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos".

Já especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de revista brasileiro, nos anos 30 e 40, estrelando algumas delas, como "Rei Momo na Guerra", em 1943, de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, na companhia do empresário Walter Pinto.

Foto: Banco de Imagens

A partir da década de 60, Dercy inicia espetáculos em solitário. As apresentações, feitas em teatros de todo o país, conquistam um público ainda cheio de moralismos. Nesses espetáculos aos poucos introduziu um monólogo no qual contava fatos autobiográficos de sua vida. Ao largo dessas apresentações, atuou, desde o início na Revista, em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, onde também conheceu o executivo Boni. Depois passou para a TV Rio e já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark. De 1966-1969 apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo do ar com o início da Censura no país.

No final dos anos 80, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar corpos de jurados em programas populares, como em alguns apresentados por Sílvio Santos, e até aparições em telenovelas da Rede Globo. No SBT voltou a experimentar um programa próprio que, entretanto, teve curtíssima duração.

Sua carreira foi pautada no individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque nas economias por parte de um empresário inescrupuloso - o que a fez retomar a carreira, já octogenária. Recebeu, em 1985, o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.

Foto: Banco de Imagens

Em 1991, foi enredo ("Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo") do desfile da Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.

Sua biografia se intitula Dercy de Cabo a Rabo (1994), e foi escrita por Maria Adelaide Amaral. Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo, concedido pela câmara de vereadores desta capital[4].

100 anos em 2007

No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirma que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade.

Filmografia

2000 - Célia & Rosita (curtametragem)
1993 - Oceano Atlantis
1983 - O Menino Arco-Íris
1980 - Bububu no Bobobó
1970 - Se Meu Dólar Falasse
1963 - Sonhando com Milhões
1960 - Com Minha Sogra em Paquetá
1960 - Dona Violante Miranda (Violante Miranda)
1960 - Só Naquela Base
1960 - A Viúva Valentina (Valentina)
1959 - Entrei de gaiato(Anastácia da Emancipação)
1959 - Minervina Vem Aí (Minervina)
1959 - Cala a Boca, Etelvina (Etelvina)
1958 - A Grande Vedete (Janete)
1958 - Uma certa Lucrécia (Lucrécia)
1957 - Absolutamente Certo (Bela)
1957 - A Baronesa Transviada (Gonçalina / Baronesa)
1957 - Feitiço do Amazonas
1956 - Depois Eu Conto
1948 - Folias Cariocas
1946 - Caídos do Céu (Rita Naftalina)
1944 - Abacaxi Azul
1944 - Romance Proibido (Dercy)
1943 - Samba em Berlim

Televisão
2001 A Praça é Nossa - participações como ela mesma (SBT)
2000 Fala Dercy (SBT)
1996 Sai de Baixo - Mãe de Vavá e Cassandra (participação especial) (Globo)
1996 Caça Talentos - Miss Dayse (Globo)
1992 Deus nos Acuda - Celestina (Globo)
1994 Brasil Especial (Globo)
1990 La Mamma - Mamma (Globo)
1989 Que Rei Sou Eu? - Baronesa Eknésia (participação especial)
1984 Humor Livre (Globo)
1980 Dulcinéa vai à guerra - Dulcinéa (Rede Bandeirantes)
1980 Cavalo Amarelo - Dulcinéa (Rede Bandeirantes - Troféu Imprensa de Melhor Atriz, empate com Dina Sfat)
1971 Família Trapo - participação como a namorada de Bronco (Record)
1971 Dercy em Famlia - programa de variedades (Record)
1968 Dercy de Verdade - programa de variedades (Globo)
1966 Dercy Espetacular - programa de variedades (Globo)

Interpretação em teatro:
 
1932 - Quequé Qué
1932 - Gente de Fora
1932 - Viva as Muié
1933 - Carnaval do Sertão
1933 - Coisas de caboclo
1933 - Promessa
1934 - Foi seu Cabral
1934 - Coisinha Boa
1941 - Filhas de Eva
1941 - Do que Elas Gostam
1942 - Rumo a Berlim
1942 - Passo de Ganso
1943 - Rei Momo na Guerra
1944 - A Barca da Cantareira
1944 - Momo na Fila
1945 - Canta Brasil
1945 - Bonde da Laite
1946 - Fogo no Pandeiro
1946 - Jogo Franco
1947 - Sinhô do Bonfim
1947 - Deixa Falar
1947 - Que Medo Ó!
1948 - É com Esse que Eu Vou!
1948 - Tem Gato na Tuba
1948 - Manda Quem Pode
1949 - Quero Ver Isso de Perto
1949 - Pro Cacete Vou a Pé
1950 - Nega Maluca
1950 - Catuca por Baixo
1951 - Zum, Zum!
1951 - Ó do Penacho!
1952 - Sou Tarada!
1952 - Mulheres de Todo o Mundo
1953 - Bomba da Paz
1953 - Túnica de Vênus
1954 - Uma Certa Viúva
1955 - Um Marido Pelo amor de Deus
1956 - A Dama das Camélias
1956 - Escândalos Romanos
1957 - A Sempre Viúva
1958 - Vinde Ensaboar Vossos Pecados
1958 - Dona Violante Miranda
1959 - La Mama
1963 - Senhora Presidenta
1963 - Siamo Tutti Tarados
1966 - Cocó My Darling
1968 - A Virgem Psicodélica
1969 - A Viúva Recauchutada
1970 - A Gatatarada
1970 - Sepulcro para Casal
1970 - A Dama das Camélias
1971 - A Difa... Amada
1972 - Os Marginalizados
1974 - A Dama do Camarote
1974 - Tudo na Cama
1977 - Dercy Biônica
1979 - Dercy Beaucoup
1982 - Dercy Vem Aí
1983 - Dercy de Cabo a Rabo
1984 - Dercy de Peito Aberto
1987 - Dercy 80 Anos - Adeus, Amigos
1989 - A Grande Revista
1990 - Burlesque
1991 - Bravíssimo
1997 - Rio de Janeiro RJ  -  Dercy, uma Lição de Vida

Direção:
 
1953 - Bomba da Paz
1955 - Um Marido Pelo amor de Deus
1963 - Siamo Tutti Tarados
1968 - A Virgem Psicodélica
1970 - A Gatatarada
1970 - Sepulcro para Casal
1971 - A Difa... Amada
1974 - A Dama do Camarote
1977 - Dercy Biônica
1979 - Dercy Beaucoup
1982 - Dercy Vem Aí
1983 - Dercy de Cabo a Rabo
1984 - Dercy de Peito Aberto
1987 - Dercy 80 Anos - Adeus, Amigos
1990 - Burlesque
1991 - Bravíssimo

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