Rio - Morreu na manhã deste sábado no Rio, aos 94 anos, o compositor Dorival Caymmi. Ele faleceu em sua casa, no bairro de Copacabana, enquanto dormia. Caymmi tinha câncer e foi vítima de falência renal. O velório será na Câmara Municipal, no Centro, e o enterro será realizado no cemitério São João Batista, neste domingo.
Veja fotos da carreira de Caymmi
Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi compôs mais de 100 canções e gravou mais de 50 discos. No seu aniversário de 90 anos, em 2003, Caymmi ganhou uma homenagem dos filhos. Vinte sambas clássicos foram relançados em uma coletânea feito pelos filhos Nana, Dori e Danilo.
Ao falar sobre a morte do avô, a neta Stella Caymmi revelou que o compositor sofria de câncer há 10 dez anos e tinha diabetes e problemas cardíacos. "Ele ia ao hospital, mas não perguntava. Nós também não queríamos que ele se chocasse", disse ela. Caymmi, segundo Stella, tinha uma serenidade que foi exercitada ao longo de toda a vida. "Meu avô tinha um auto-domínio sereno, mesmo nos piores momentos. Era realista e descobriu o segredo da vida".
Veja vídeo de Dorival Caymmi cantando "O Que É Que a Baiana Tem?"
Nos últimos anos, Stella esteve muito próxima do avô porque escreveu uma biografia sobre ele, Dorival Caymmi: o Mar e o Tempo, lançada em 2001. Para ela, Caymmi marcou a música popular brasileira com o seu jeito simples. "A vida dele era a sua obra", disse Stella. Em 2008, Caymmi completou 68 anos de casamento, 70 de carreira e 70 anos morando no Rio, onde iniciou sua carreira na Rádio Tupi na década de 30.
Relembre Dorival Caymmi e Gal Costa cantando "Só louco"
Biografia
Compositor baiano responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. Em Salvador teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936.
Dois anos mais tarde foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Mas, incentivado pelos amigos, muda de idéia e resolve enveredar para a música. Primeiro, por obra do acaso, tem sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda.
Em seguida sua música "O Mar" foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em diante seu prestígio foi se ampliando. Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou em 1940 e permanece casado até hoje.
Seus filhos Dori, Danilo e Nana também são músicos. As canções que celebrizaram Caymmi versam na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar, de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros.
Algumas das mais marcantes são "A Lenda do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não Tem Solução", "João Valentão", "Maracangalha", "Saudade de Itapoã", "Doralice", "Samba da Minha Terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos Pescadores", "Sábado em Copacabana", "Nem Eu", "Nunca Mais", "Saudades da Bahia", "Dora", "Oração pra Mãe Menininha", "Rosa Morena", "Eu Não Tenho Onde Morar", "Promessa de Pescador", "Das Rosas".
Em 60 anos de carreira, o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas. A editora Lumiar lançou em 1994 o songbook com suas obras, acompanhado por três CDs.